UNE chega aos 80 anos e expande para causas sociais e políticas

Atualmente, União Nacional dos Estudantes tem representação de cerca de 6 milhões de universitários

Karla Medes/redacao@diarioam.com.br

Manaus – Criada com o objetivo principal de defender os interesses dos estudantes do País, a União Nacional dos Estudantes (UNE) completou, na última sexta-feira (11), 80 anos de existência. Atualmente, além da defesa de causas estudantis, a categoria atua como defensora de assuntos como a ‘desmilitarização da polícia’, ‘respeito à diversidade’, ‘fim do genocídio da juventude negra nas periferias urbanas’ e ‘reforma política’.

Estudantes Bandeiras da UNE são frequentes em protestos pelo Brasil. Foto: Divulgação

Com 80 diretorias espalhadas pelo Brasil e representação de cerca de 6 milhões de universitários, a presidente da UNE, Marianna Dias, afirma que atualmente o movimento ainda necessita ganhar a adesão popular em defesa de mudanças sociais.

“A grande dificuldade que a gente evidencia é a necessidade das pessoas participarem de assuntos políticos e interferir em tudo o que esta acontecendo no Brasil através da movimentação dos estudantes. A gente precisa levantar um grande esforço em relação ao movimento social e da população pela mobilização social a respeito do restabelecimento da democracia em nosso País”, afirma.

Entre as causas que o grupo defende esta a aprovação do plano nacional de educação, da meia-entrada para universitários em atividades culturais e esportivas, o passe-livre estudantil no transporte público e o fim do financiamento empresarial.

Na opinião de Marianna, a participação da entidade tem ganhado força nos últimos anos devido à atual crise política do País. “Eu acredito que o acúmulo de força do movimento estudantil atualmente é um dos maiores da nossa história, a gente tem a capacidade de se comunicar e assim que o atual governo tomou atitudes que de certa forma desvalorizam a juventude. Nós percebemos que eles ocuparam escolas e lutaram. Nós ainda pretendemos fazer uma grande mobilização a favor de mudanças em Brasília, mas é inegável a importância da participação que o movimento estudantil teve nos últimos anos”, ressalta.

Histórico

Ao longo da história, a UNE ganhou destaque em momentos históricos, como, por exemplo, o forte posicionamento dos estudantes brasileiros no período da Segunda Guerra Mundial, onde os estudantes do movimento se manifestaram contra as atitudes de Adolf Hitler e pressionaram o governo de Getúlio Vargas a tomar posição na guerra,  as manifestações realizadas no período de regime militar, onde mais de 700 participantes da liderança do movimento foram presos em um período em que o decreto de lei 477 de 1969 previa punição a alunos e funcionários de escolas e universidades por “subversão ao regime” e o  protagonismo do movimento em campanhas como ‘Diretas Já’ e ‘Fora Color’ nas décadas de 1980 e 1990, respectivamente.