Vagas para até 2 salários-mínimos caem no Polo Industrial Manaus

Em cinco anos, o volume de quem ganha até dois salários-mínimos no PIM caiu 34%, enquanto os que ganham acima de dez salários foi reduzido em 5%, segundo os indicadores da Suframa

Beatriz Gomes

Manaus – O volume de trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM) que ganhava até dois salários-mínimos caiu 34%, enquanto que aqueles empregados com remuneração acima de dez salários caiu 25%, em cinco anos. De acordo com dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), esse ano, os trabalhadores com menores salários correspondem a 60,5% da média mensal, bem abaixo de 2013, quando chegou a 64%, já os mais remunerados passaram de 3,12%, em 2013, para 3,3% da média mensal, em 2018.

Rotatividade do emprego no PIM atinge mais quem ganha menos (Foto: Sandro Pereira)

O modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) foi criado para atrair a iniciativa privada como incentivos fiscais e mão de obra barata, explica o economista Francisco Mourão Jr. “A mão de obra mais barata possui uma rotatividade maior, as empresas tentam evitar que esses trabalhadores fiquem mais tempo, porque, à medida que um trabalhador desse passa um ou dois anos na empresa, o salário é corrigido pelos dissídios sindicais, então, a partir de dois anos, é mais interessante fazer rotatividade para outra mão de obra com salários mais baixos”, afirma.

Para Mourão Jr, é preciso rever os custos de contratação do trabalhador com a reforma previdenciária. “Devido à crise econômica, as empresas estão tentando diminuir os custos e a questão salarial, infelizmente, pesa por causa dos encargos”, destaca.

Gerentes, diretores e funções mais especializadas são os cargos que recebem os maiores salários no PIM, de acordo com o vice-presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo. “Em qualquer reajuste salarial esse funcionário acima de dois salarios-minimos pode causar uma distorção nos custos da empresa, por isso os funcionários com maiores salários têm valor negociado fixo”, disse.

Remuneração

A média mensal de mão de obra efetiva do PIM caiu de 113,2 mil para 79,5 mil, em cinco anos, um recuo de quase 30%, enquanto a média salarial passou de R$ 3,8 mil para R$ 5,6 mil, alta de 47%. O volume de salários dos trabalhadores, com exceção dos terceirizados e temporários, somou R$ 449 milhões em 2018, contra R$ 434,4 milhões, em 2013. Esse ano, a média mensal de empresas no PIM é de 440.

O setor eletroeletrônico é que paga a maior média salarial do PIM com relação ao volume de trabalhadores. As fábricas de televisores, celulares e computadores, entre outras, empregaram uma média de 32,9 mil pessoas por mês e pagou R$ 5,09 mil. Já o setor relojoeiro aparece em seguida com uma média de R$ 3,5 mil na remuneração, com 1,9 mil trabalhadores em média. O setor de Duas Rodas é o terceiro, com maior média salarial R$ 8,1 mil e 12,3 mil postos em média.

A participação dos dispêndios, que somam os salários, encargos e benefícios sociais, passaram de 6,26%, em 2013, para 5,97%, em 2018.

A média mensal de mão de obra, inclusive terceirizados e temporários, é de 87,5 mil trabalhadores, em 2013 eram 121,6 mil. Abril teve a menor quantidade de mão de obra (86,4 mil) e fevereiro a maior (88,7 mil).

Dados indicam uma leve recuperação de empregos

Dados dos indicadores industriais da Suframa e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), indicam uma retomada da geração de empregos, no Amazonas.

Segundo a Suframa, a mão de obra ocupada, em abril, de 86,4 mil trabalhadores, representou variação de 1,98% na comparação com abril do ano passado (84,7 mil trabalhadores). A média mensal de mão de obra no ano, de janeiro a abril, está em 87,5 mil trabalhadores, o que indica um aumento de 2,44% ante a média registrada no mesmo período de 2017 (85,4 mil).

Mais atualizados, os dados do Caged, de janeiro a junho, revelaram o primeiro saldo de empregos (na relação entre contratações e demissões), em junho, após quatro anos de redução de vagas.

Foram criadas 629 vagas no sexto mês do ano, enquanto o primeiro semestre ainda registrou o encerramento de 362 postos de trabalho. Em 12 meses, o saldo entre empregados e desempregados no Estado é de 6,3 mil vagas.

Em junho, a indústria do Amazonas puxou o resultado positivo com a abertura de 252 postos de trabalho, seguida pela construção civil, com saldo de 184 vagas e serviços com 131 ocupações. Nenhum dos oito setores registrou perda de postos de trabalho, em junho.

Atualmente, segundo o Caged, a indústria responde por 25% do estoque de empregos, no Amazonas.

No cenário nacional apurado pelo Caged, a indústria está entre os destaques negativos, com 176,2 mil admissões, em junho, contra 196,7 mil demissões, apresentando a perda de 20,4 mil vagas de trabalho.