Venezuelano diz que pagou R$ 125 a ‘coiote’ para entrar no Brasil

O homem estava desempregado na Venezuela e com um grupo de 39 pessoas tentou entrar no Brasil por Santa Elena-Pacaraima. Sem sucesso, utilizaram a rota de Guiana com a ajuda de ‘coiote’

Da Redação / portal@d24am.com

Foto: Reinaldo Okita

Manaus – O venezuelano Fernando M., 57, e outras 39 pessoas pagaram R$ 125 (cada) para um ‘coiote’, para conseguirem entrar no Brasil, em fevereiro deste ano. O detalhe é que a fronteira é ‘aberta’ e alguns indígenas venezuelanos têm chegado às terras brasileiras através da exploração de atravessadores. Na última quarta-feira, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, pediu que a Polícia Federal investigue a atuação de ‘coiotes’ que estão atuando na travessia entre Venezuela e Brasil. Nesta quinta-feira, o prefeito esteve, em Brasília, para tratar sobre a situação dos venezuelanos em Manaus.

Fernando disse à reportagem que tentou entrar no Brasil pela rota Santa Elena (Venezuela) – Pacaraima (Roraima). Quando o grupo dele, de 40 pessoas, chegou em Santa Elena foi barrado e proibido de concluir a travessia pelo governo do presidente Nicolas Maduro. Ele disse que, então, decidiram entrar no Brasil pela Guiana Francesa e, neste país, encontraram um ‘coiote’ que cobrou R$ 125, por pessoa, para atravessá-los até o Brasil. Somente assim, ele e o grupo conseguiram desembarcar em terras brasileiras.

O indígena venezuelano não quis dar detalhes sobre a aparência do ‘coiote’, mas disse que ainda o viu no Brasil, em Roraima, na localidade em que chegou no Brasil. O grupo com quem fez a viagem, também, está em Manaus. Além dos R$ 125 da passagem para o ‘coiote’, Fernando ainda pagou a mesma tarifa para sua mulher e outra para o filho dele, uma criança, entrarem no Brasil. De Roraima para Manaus, gastou mais R$ 250 de transporte. Em Manaus, Fernando e a família vivem próximo da rodoviária, zona centro-sul, e sobrevive da venda de artesanato e de doações.

Já Adom Perez, 40, da etnia Warao, que estava desempregado na Venezuela, disse que conseguiu entrar no Brasil, recentemente, por Santa Helena e Pacaraima. Ontem, foi o primeiro dia dele em Manaus, e disse que na capital as coisas estão melhores para ele, se comparada à vida na Venezuela, já que ele ganhou dois frangos congelados. Adom está na cidade com dois filhos, um de 10 e outro de 12 anos.

O cônsul venezuelano Faustino Torella Ambrosini disse que tem participado de várias reuniões com representantes do governo municipal e estadual e agradece o modo respeitoso como os venezuelanos têm sido tratados. Por ser livre o ir e vir das pessoas, ele disse que acompanha a situação no que competente a um consulado fazer.

 

Brasília

Acompanhado de sua esposa, Elisabeth Valeiko, do secretário municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos, Elias Emanuel, e da deputada federal Conceição Sampaio, o prefeito reuniu-se com o ministro do desenvolvimento social, Osmar Terra, para expor a grave situação em que se encontram os indígenas.

“Recebemos o compromisso do ministro de enviar emergencialmente para Manaus a melhor quantia que ele puder, dentro das possibilidades do ministério”, disse o prefeito.

Outra pauta da reunião foi  a restrição da entrada desses refugiados já nas fronteiras. “Esse assunto já está sendo tratado com o ministro das Relações Exteriores, Aluízio Nunes, e será também levado ao ministro Padilha, da Casa Civil, no sentido de criar um campo de refugiados e termos a barreira na fronteira”, disse o prefeito.

 

MPF/AM recomenda medidas aos governos sobre venezuelanos

O Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendação à Casa Civil da Presidência da República, ao Estado do Amazonas, ao Município de Manaus e aos Ministérios da Justiça, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento Social e Agrário, que requer uma série de medidas a serem adotadas, de forma articulada, para prestar assistência humanitária aos imigrantes venezuelanos que se encontram em Manaus, no prazo de dez dias. O pedido inclui, entre outras medidas, garantia de abrigo e alimentação adequados, água potável, assistência médica e vestuário.

Ao Estado do Amazonas e ao Município de Manaus, o MPF recomendou que articulem entre si e com os órgãos competentes do governo federal as medidas de abrigo aos imigrantes venezuelanos, em especial àqueles que estão vivendo na rua e em situação de vulnerabilidade, em regime de urgência, com local adequado à cultura indígena Warao. O documento pede também para implementar, em 20 dias, de uma política sólida de imigração no Estado, que envolva as três esferas de governo, organizações civis e com a participação de representantes dos imigrantes venezuelanos indígenas e não indígenas.

O documento pede também à Direção Geral do Departamento de Polícia Federal que, com o objetivo de resguardar seus direitos, sua integridade física e psicológica, monitore a entrada destes imigrantes.

O MPF requer ainda o fornecimento da documentação necessária para acesso aos serviços essenciais de cidadania a todos os imigrantes em situação de vulnerabilidade.

Foi recomendado ainda à Fundação Estadual do Índio, à Coordenação Regional da Fundação Nacional do Índio de Manaus e ao Distrito Sanitário Especial Indígena de Manaus (DSEI Manaus)  que prestem auxílio imediato aos órgãos do governo federal, Estado do Amazonas e município de Manaus, na articulação das medidas de abrigo e assistência humanitária.

Mais de 350 indígenas venezuelanos estão morando, atualmente, em Manaus, desde dezembro do ano passado.