Bola Sete ‘corneta’ torcidas modernas e celebra Manaus

Manaus – Figurinha carimbada nos estádios brasileiros, o torcedor Roberto Santana, mais conhecido como Bola Sete, vem fazendo a alegria de muitos torcedores há mais de 20 anos. Pode ser em uma partida de futebol, vôlei de areia ou showbol, Bola Sete estará presente apoiando os jogadores brasileiros e animando o público. Filho do lendário massagista vascaíno Pai Santana, Bola esteve em Manaus, na última semana, para prestigiar a Seleção Brasileira no confronto contra a Colômbia e vibrou com o que ele chamou de “a volta da verdadeira torcida brasileira”.

Dentro da Arena da Amazônia, ele não escondeu a alegria de ter conseguido entrar no estádio com seu fiel tamborim. Além disso, viu de perto a participação de três baterias de escola de samba, que conduziram o ritmo brasileiro e animaram os torcedores.

“Parabéns para Manaus, porque foi possível entrar com instrumentos. O Brasil é música, é som e isso tem que estar na arquibancada. Nesse jogo, colocaram escolas de samba nas arquibancadas. Isso foi um ganho de Manaus. Foi o primeiro jogo que tem liberado a entrada de uma escola de samba. Vemos essa proibição apenas no Brasil. Na Copa América nos Estados Unidos, tinha instrumentos nos estádios. Aqui, que somos o país da música, somos proibidos”, disse Bola Sete, que ainda frisou que ‘as arenas padrão Fifa’ esfriaram a vibração dos brasileiros nos estádios. “Acho que perdeu um pouco daquele negócio do torcedor. Já fui ao Maracanã com 150 mil pessoas. Hoje, é 70 mil pessoas, todos sentados. Antes, era um em cima do outro. Era aquela torcida de verdade. Não tinha cadeira, era tudo no cimento. Era aquela gritaria, aquele oba-oba e aquele batuque”, relembrou.

Outra marca importante de Bola é o fair play. Segundo o animador, ele nunca xingou durante uma partida. “Nunca xinguei, nunca conduzi nenhuma torcida a xingar. No momento, por mais difícil que seja, o torcedor tem que apoiar. Passar energia positiva. Meu trabalho é conduzir para o bem. Temos que respeitar o hino do time ou país adversário. Não é legal vaiar. Se não quer aplaudir, simplesmente fique quieto. Acho que esse tem que ser o espírito do torcedor”, concluiu.

Com seis Copas no currículo, maior decepção foi no Brasil

A carreira de Bola Sete começou em 1994, quando ele viajou para os Estados Unidos e viu de perto a conquista do tetracampeonato canarinho. Em 22 anos tiveram vários momentos alegres, porém, o fatídico 8 de julho de 2014 não sai da cabeça do animador.

“Estava na Copa de 94 onde fomos campeões. Já fiz seis Copas. Estava em Belo Horizonte (MG) naquele fatídico jogo contra a Alemanha. Aquele foi o pior momento da minha vida. Mas a gente tem que olhar para o outro lado. A Seleção está renovada e vivendo um bom momento”, relembra Bola Sete, que já trabalhou em Portugal e ganhou o título de mascote do Benfica.

Para ele, não há como ficar longe do esporte. Por ser filho do Pai Santana e ter crescido em São Januário, Bola Sete se acostumou com o meio. Mas o que o deixa mais satisfeito é o carinho dos torcedores, principalmente, das crianças.

“Quando uma criança vem me abraçar e fala “tio Bola, gosto de você e te amo”, isso é muito legal. Aconteceu isso em Manaus. Um garotinho de 10, 12 anos veio e me abraçou. Ele nunca me viu e veio me dar um abraço. O carinho da criança é muito legal. Ela não mente. Se gosta, ela mostra. E isso é muito legal”, afirmou o torcedor que perdeu 120 quilos no último ano após fazer uma cirurgia bariátrica.

Bola explica que, após a cirurgia, ficou com medo de não ser mais tão bem recebido pelos torcedores, porém, não foi o que aconteceu. “Pesava 245 quilos. Era um outdoor humano. Um ano atrás, fiz a bariátrica e eliminei 120 quilos. Agora, o meu foco é motivar as pessoas. Fiquei com medo de que não conseguisse animar mais a torcida. Mas foi fantástico estar em Manaus e ver o apoio da torcida. Agora, tenho mais disposição e alegria para passar ao público”, disse.