Cirurgiões denunciam tráfico de órgãos de brasileiras na Venezuela

Da Redação/Diário do Amazonas


Manaus – A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) denunciou casos de mulheres do Amazonas e Roraima que fizeram procedimentos cirúrgicos na Venezuela como suspeitos de vinculação com tráfico internacional de órgãos. As denúncias foram encaminhadas em caráter de urgência pela SBCP ao Procurador Geral da República, Ministério da Justiça, Ministério das Relações Exteriores e Superintendência da Polícia Federal.

De acordo com a SBCP, em 13 de setembro, o corpo da paraense residente em Parintins (distante 369 quilômetros de Manaus) Dioneide Leite, de 36 anos, que morreu após uma perfuração no pulmão em decorrência de erro médico durante uma cirurgia de redução mamária, chegou ao Brasil sem os rins.

Outro caso, segundo o SBCP, é o de Adelaide da Silva, 55 anos, que foi com a mãe para Puerto Ordaz, no dia 16 de setembro, para colocar implante de silicone nos seios, fazer uma abdominoplastia e uma lipoaspiração. As cirurgias foram realizadas no dia 17, pela manhã. Ela ficou internada na clínica e morreu na tarde do dia 18. A sobrinha da vítima afirmou que a clínica era pequena e que não havia estrutura suficiente para a cirurgia.

Após passar mal, Adelaide não foi transferida para uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), mas ficou constantemente sob a supervisão do médico responsável, Oscar Hurtado. A família estranhou o fato. Outro fato estranho para a família, é que, após declarada a morte de Adelaide, o médico comunicou que o embalsamamento não seria permitido no país e que para transferir o corpo a família deveria pagar um valor em torno de R$ 60 mil. As opções sem custo para a família dadas pelo médico foram a cremação ou o enterro na própria Venezuela.

De acordo com a SBCP, durante a autópsia no IML de Boa Vista (Roraima), foi detectada a falta do coração, pulmões, rins e intestinos. Além disso, o IML identificou a colocação indevida de formol no corpo, artifício geralmente utilizado para dificultar a autópsia. A família já registrou boletim de ocorrência e entrará com ação junto ao Ministério Público.

Segundo a presidente da Sociedade Venezuelana de Cirurgia Plástica, Linda Lorena Rincón, Oscar Hurtado não possui formação em cirurgia plástica e sim em oncologia. “Lamentavelmente, estamos sendo vítimas de um desprestígio da especialidade por parte de pessoas que não são cirurgiões plásticos”, disse.