No AM, 66% das mortes infantis poderiam ter sido evitadas, diz Ministério da Saúde

Álisson Castro


Manaus – No Amazonas, 66% das mortes infantis no primeiro semestre deste ano, poderiam ter sido evitadas, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (MS). Entre janeiro e junho deste ano, o Amazonas registrou 508 mortes infantis, das quais 337 são classificadas como de causas evitáveis. O MS define mortalidade infantil como o óbito ocorrido nos primeiros 12 meses de vida.

De acordo com o MS, 102 óbitos infantis, o que representa 30% do total, poderiam ser evitados no Amazonas se houvesse atenção adequada a gestante, 25% por atenção adequada ao recém-nascido e outros 16% por ações de diagnóstico e tratamento adequado. Por fim, 13% dos óbitos infantis seriam evitados se houvesse atenção adequada no momento do parto.

Ainda segundo dados do MS, a maior parte das mortes evitáveis, 56%, ocorreram no período neonatal precoce, antes de sete dias completos de vida. Outros 11% foram no período neonatal tardio, depois de sete dias completos, mas antes de 28 dias completos de vida, e 31% ocorreram no pós-neonatal, depois dos 28 dias de vida e antes de completar um ano.

Com maior número de habitantes no Estado, Manaus registrou 242 mortes infantis, das quais 154 foram por causas evitáveis. Na capital, a maior parte das mortes infantis, 38% poderiam ser evitadas por atenção adequada a gestante.

No interior do Estado, Parintins registrou o maior número de óbitos infantis, 19 ao total, sendo 16 por causas evitáveis.

Ainda que seja elevado o percentual de mortes evitáveis no Estado, no geral, o índice de mortalidade infantil reduziu 19% no primeiro semestre deste ano, segundo dados do MS. Entre janeiro e junho de 2015, o número de mortes infantis, em crianças de até um ano de idade, totalizou 629 anos, superior aos 508 registrados neste ano.

Em 2016, janeiro foi o mês de maior número de óbitos infantis, 102 casos, e junho foi o mês com menores registros, com 55 ocorrências.

Tábuas de mortalidade

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no início do mês, o Amazonas registrou a sexta maior taxa de mortalidade infantil do País, com 18,7 mortes de crianças menores de um ano para cada mil nascidos vivos. Segundo dados das Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil de 2015 divulgados, houve uma redução de 0,7 mortes de recém-nascidos para cada mil, no ano passado.

Conforme o IBGE, a mortalidade das crianças menores de 1 ano é um importante indicador da condição de vida socioeconômica de uma região.

De acordo com o disseminador de informação do IBGE no Amazonas, Adjalma Nogueira, o resultado mostra que, embora o Estado possua mais riquezas que outras unidades da federação, a condição econômica não garantiu uma melhora na qualidade de vida dos amazonenses.

A questão logística do Estado também foi levada em conta, na avaliação de Nogueira. Segundo ele, as mulheres que vivem em áreas rurais do Estado e em comunidades de cidades do interior do Estado não conseguem realizar o mesmo acompanhamento do pré-natal que o realizado na capital.

As informações do MS podem ser consultadas no site.

Visita em Manaus

Há menos de um mês, o ministro da saúde, Ricardo Barros, lançou, em Manaus, um plano de ações para reduzir em 20% mortes de bebês e crianças até 2019. O objetivo é fortalecer e ampliar a assistência impactando nos óbitos evitáveis, causados, por exemplo, por doenças respiratórias, parasitárias e nutricionais.

Segundo o MS, ao contrário do que acontece no restante do País, metade das mortes de bebês indígenas acontece, após o primeiro mês de vida.