Tocha Olímpica faz trajeto pelo Cigs e ‘interage’ com onças do Exército

Manaus – Depois de cruzar Manaus neste domingo (19), em um percurso de 39 km que terminou já à noite na Ponta Negra, a chama olímpica teve a primeira programação em Manaus na manhã desta segunda-feira, no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs). O percurso da tocha, previsto para começar às 8h, teve início com quase meia hora de atraso.

A demora para iniciar o trajeto dentro do Cigs deu-se por conta da inclusão de mais um condutor, de acordo com o coronel Silva Pena. Segundo ele, ao invés dos 200 metros de percurso para cada condutor, houve a redução para 150 metros, para manter o tempo inicialmente previsto e não alterar o trajeto.

Entre a lista dos que conduziram a chama olímpica no Cigs estão o lutador Waldeci Silva, o atleta pelo exército cabo Peter Kehinde, o atleta pelo exército sargento Ednei Tomazini e o cuidador de botos do Instituto de Proteção da Amazônia (INPA), Igor Simões.

A tocha foi recebida também por 12 mulheres, que integram o segmento feminino do Exército Brasileiro, que acompanharam o trajeto até que a chama chegasse à onça Simba, um dos mascotes dos militares. Após várias fotos e uma ‘interação’ com o animal, a tocha seguiu para a parte do zoológico e chegou até à onça Juma, mascote do 1ª Batalhão De Infantaria De Selva, partindo em seguida para a área de selva, onde são feitas simulações de sobrevivência. Os militares chegaram a simular uma verdadeira operação de selva no local.

O coronel Silva Pena, do Exército Brasileiro, explicou as simulações dentro da trilha. “Teve ali dentro um local que a gente chama de Tapiri onde tinham um rabo de Jacú que é um abrigo muito utilizado pelos combatentes de selva, em que tinha uma rede de selva simbolizando o local que pernoite onde os militares dormem, mais a frente ela foi escoltada por uma equipe de cerca de 16 militares equipados e armados para fazer a segurança da Tocha. É um simbolismo do braço forte que o exército brasileiro representa”, comentou.

O primeiro a carregar a tocha nesta manhã, o lutador amazonense Waldeci Silva, descreveu a experiência como única, porém, destacou o descaso das autoridades amazonense com o esporte uma vez que o convite foi feito pela Rio 2016. “Se fosse pelas autoridades locais, com certeza, eu não estaria aqui. É por isso que às vezes os atletas ficam revoltados com o descaso que acontece com os atletas e essa foi um dos casos. Tem gente que eu nem sei o que fez pelo esporte e estão carregando a tocha, mas não cabe a nós a julgar. Graças a Deus, eu fui escolhido e estou aqui nesse lugar simbólico pro nosso país e pra nossa região”, disse.

“É o sonho de qualquer atleta participar e poder carregar a chama olímpica para este momento histórico de Manaus e pro brasil. Poder representar a forçar armadas é uma experiência única e emoção muito grande”, comentou o atleta em salto em altura do exército, cabo Peter Kehinde que também conduziu a chama olímpica.

Emoção

Cerca de 100 pessoas estiveram no local para acompanhar o trajeto da tocha pelo Cigs. Uma delas foi o inspetor de segurança Mauro Pereira, de 37 anos. Ele mora próximo à barreira da AM-010 e fez questão de ir ao local com a filha. Bastante emocionado, ele vestia uma camisa do Brasil para representar seu amor pela pátria. “É um momento único, sabe lá Deus quando é que essa tocha vai passar por aqui de novo?”, disse ele.

Também emocionada, a universitária Valesca Castro, 19, esperou desde às 7h30 para acompanhar a Tocha Olímpica, com a mãe Debora Monteiro, 47. “Eu me emocionei demais, só de falar já me emociono. Sempre acompanho os jogos pela televisão e poder ver de perto aqui na nossa cidade é muito emocionante. É a história sendo feita aqui”, contou Valesca.

Acompanhando desde ontem o símbolo olímpico com a camisa da Seleção Brasileira, o marceneiro Sebastião Ferreira, 72, realizou o sonho de ‘fazer parte da história’. “Estou acompanhando desde o aeroporto. É importante pra minha vida e para a dos meus filhos também, pois estou fazendo parte da história e dessa maravilhosa festa”, completou Sebastião.

Programação

Após o Cigs, a tocha vai ao píer do Tropical Hotel, onde começa o trajeto fluvial até a Comunidade São Tomé, no município de Iranduba, reduto do boto cor-de-rosa. A tocha Olímpica vai também até a Praia do Tupé, onde tem base a tribo Dessana.

Da praia, a tocha segue para o Lago do Catalão, onde visita uma comunidade ribeirinha. Em procissão, o comboio descerá o Rio Negro em direção ao Encontro das Águas.

De helicóptero, o grupo parte para Presidente Figueiredo. A Tocha visitará a Cachoeira de Iracema e de lá parte para o Parque do Urubuí. No dia seguinte (21), pela manhã, embarca para o Acre.

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