Agropecuária no AM expande área em 21%, indica IBGE

Após declínio na década de 1980, a quantidade de área explorada no Amazonas está se recuperando, indicam os dados preliminares do Censo Agropecuário 2017 divulgados pelo IBGE

Beatriz Gomes

Manaus – A quantidade de áreas destinadas à agropecuária no Amazonas cresceu 21% em 11 anos, e passou de 66,7 mil, em 2006, para 80,9 mil, em 2017. Os dados são preliminares, e fazem parte do Censo Agropecuário 2017, divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Censo Agro 2017, com informações mais detalhadas será divulgado somente em julho de 2019.

O número de pessoas no Amazonas ocupadas no setor foi de 329,9 mil, alta de 23,7%, sobre 2006. (Foto: Arlesson Sicsú)

A partir da década de 1980, com a diminuição da população rural, o número de estabelecimentos entrou num processo de declínio, recuperando-se somente agora, em 2017. A menor quantidade ocorreu em 2006 (66.784) e a maior em 1985 (116.302 estabelecimentos).

Entre os municípios amazonenses, São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros a noroeste de Manaus) com 3,9 mil estabelecimentos, liderou o número de unidades, superando inclusive aqueles que possuem maior população. Em seguida, aparecem Boca do Acre, Parintins, Manicoré e Autazes entre as cidades com maior número de estabelecimentos no Estado.

A pesquisa aponta, ainda, que o número de pessoas ocupadas nas atividades agropecuárias no Amazonas foi de 329,9 mil pessoas, bem acima do resultado de 2006, alta de 23,7%, o que representa 63,2 mil pessoas. Em 1985, a pesquisa mostrou o maior quantitativo de pessoas trabalhando no campo (545 mil), a partir daquele ano, os números vinham caindo até 2017, quando voltou a aumentar. Considerando que a população na força de trabalho do último trimestre de 2017 foi de 1,78 milhão, a agricultura foi responsável por 18,5% da força de trabalho do Estado.

Entre os municípios, São Gabriel da Cachoeira apresentou o maior número de pessoas ocupadas nas atividades agropecuárias (14.243), seguido por Tefé (11.688), Parintins (11.413), Manicoré (10.790) e Itacoatiara (10.420).

Bovinos são os animais com maior presença na agropecuária amazonense, 1,25 milhão de cabeças, segundo a pesquisa. Essa quantidade supera em 7,1% o número encontrado no Censo anterior, um aumento de 83,2 mil cabeças. O maior rebanho bovino pesquisado desde o primeiro censo, em 1975. Entre os municípios, Lábrea lidera a criação de gado com 219,4 mil cabeças.

Nacional

O número de estabelecimentos agropecuários no Brasil caiu 2% no ano passado em relação a 2006, passando de 5,17 milhões para 5,07 milhões. De todas as regiões brasileiras, somente o Nordeste apresentou redução do número e da área dos estabelecimentos agropecuários.

O pessoal ocupado sofreu redução em comparação ao censo anterior, uma queda de 1,5 milhão de pessoas, em 11 anos. Em contrapartida, cresceu 49,7% a compra de tratores, no mesmo período.

Farinha de mandioca está em 67,2% das unidades agrícolas

O produto mais importante da agroindústria amazonense é a farinha de mandioca. No período de referência da pesquisa, foram produzidos 98 milhões de quilos de farinha em 56,4 mil estabelecimentos. A farinha é um item tão importante na agroindústria amazonense que 67,2% dos estabelecimentos agrícolas a produzem. O segundo maior produto agroindustrial é a goma ou tapioca, foram produzidas 5,8 milhões de quilos em 25,9 mil estabelecimentos no período de referência da pesquisa. Carvão vegetal (3,2 milhões de quilos) e polpa de frutas com uma produção de 3 milhões de quilos produzidos em 4.914 estabelecimentos.

A mandioca continua sendo o principal produto da lavoura temporária, no período de referência do Censo Agro foram colhidas 403,3 milhões de quilos de mandioca em 57,9 mil estabelecimentos onde a cultura ocupou 45,1 mil hectares. O segundo produto desse grupo foi a cana-de-açúcar com uma produção de 267,2 milhões de quilos em 5,8 mil estabelecimentos ocupando área de 4,5 mil hectares. O terceiro maior produto foi a melancia com 10,1 milhões de quilos em 8,3 mil estabelecimentos. O abacaxi ocupou a quarta posição entre os produtos da LT com 22,8 milhões de quilos em 13.5 mil estabelecimentos.