Compradores da Amazonas Energia dizem que vão ampliar investimentos

Diretora executiva da Thymos Energia, representante do Consórcio Oliveira/Atem, Thaís Mélega Prandini disse que o conhecimento sobre a região vai permitir uma empresa saudável

Beatriz Gomes / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Reduzir as perdas de energia, melhorar a qualidade do fornecimento e os indicadores da Amazonas Energia são os principais pontos de investimento do consórcio Oliveira Energia/Atem. A distribuidora foi arrematada na segunda-feira (10), em São Paulo, por R$ 50 mil. A venda ainda está suspensa por liminar da Justiça do Trabalho da 1ª Região, no Rio de Janeiro, obtida pelos trabalhadores da Eletrobras.

De acordo com a diretora executiva da Thymos Energia, representante do Consórcio Oliveira Energia, Thaís Mélega Prandini, o conhecimento que as empresas têm da região, junto com o investimento dos primeiros anos, vai permitir uma empresa saudável. “As duas são grande conhecedoras da região e já estão propondo investimentos, principalmente nos primeiros três anos, com o objetivo de melhorar a qualidade de fornecimento da energia, fazer um processo de redução de perdas, melhorar os indicadores da empresa como um todo e fazer com que o pessoal da região consiga ter uma energia com maior qualidade”, destacou em entrevista, logo após o leilão.

O consórcio assume a Eletrobras, que atende 1 milhão de unidades consumidoras e 4 milhões de pessoas (Foto: Sandro Pereira)

Mas, para melhorar os serviços será necessário contratar mais pessoas. “Vamos ter uma reorganização total do (quadro) que temos hoje, mas a equipe principal que temos lá são funcionários muito bem qualificados que vão contribuir muito para essa nova gestão”, disse.

Como parte do processo de arremate, foi necessária uma capitalização de quase R$ 500 milhões e um compromisso de investimentos pelos próximos cinco anos superior a R$ 2,7 bilhoes. “Os indicadores de qualidade da nossa empresa no Amazonas, fruto da incapacidade financeira da Eletrobras, eram um dos piores do Brasil, a maior perda comercial, (…), então vai ter uma melhora nessa área o que significa uma perspectiva tarifária melhor no futuro”, afirmou o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, a venda resolve um dois piores problemas da Eletrobras e do sistema brasileiro de energia. “Terá um impacto positivo na saúde financeira da Eletrobras e vai permitir que possamos recuperar a capacidade do sistema brasileiro para produzir a energia necessária para sustentar o desenvolvimento econômico”, disse.

O consórcio Oliveira Energia-Atem, representado pela corretora Concórdia S.A., único proponente classificado, saiu vencedor do leilão da Amazonas Energia apresentando Índice de Deságio na Flexibilização Tarifária igual a zero.

A vencedora assume a empresa, que atende 1 milhão de unidades consumidoras e 4 milhões de pessoas – em uma área maior do que os territórios da França, Espanha, Suécia e Grécia somados –, com prejuízo acumulado de R$ 16,5 bilhões até 2017. Para a formalização do contrato, deverá aportar em um primeiro momento R$ 491 milhões, além de assumir uma dívida de cerca de R$ 2,2 bilhões. A perspectiva de investimento nos próximos cinco anos é de R$ 2,7 bilhões.