Crise política pode afetar a recuperação da economia do País, dizem especialistas

Após notícia de delação dos donos da JBS, os mercados entraram em pânico, ontem, com o dólar cotado acima de R$ 3,40. A Bovespa chegou a interromper os negócios depois de cair mais de 10%, no início da manhã

Das Agências/Redacao@diarioam.com.br

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Brasília – A crise política pode afetar a recuperação da economia brasileira, afirmaram especialistas. Após a delação dos donos da JBS afirmando que gravaram o aval do presidente Michel Temer para comprar o silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os mercados entraram em pânico, ontem, com o dólar cotado acima de R$ 3,40. A Bovespa chegou a interromper os negócios, depois de cair mais de 10%.

Segundo Alexandre Wolwacz, diretor técnico da L&S Investimentos, a crise ”gera uma incerteza sobre a política econômica. Não sabemos se vamos continuar reduzindo as taxas de juros, se vamos respeitar a meta de inflação ou se vamos conseguir gerar empregos”, ressalta.

“A agenda de reformas fica praticamente inviabilizada, a própria manutenção do governo é incerta e isso afeta também a retomada dos investimentos, a principal variável por trás da expectativa de retomada da economia”, diz Silvio Campos Neto, economista da consultoria Tendências. Diante desse cenário, segundo ele, a queda do desemprego também fica mais distante.

Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings, é importante “ter o conhecimento dos fatos o mais breve possível para que os agentes econômicos determinem suas expectativas e atuem”.

“Essa crise coloca praticamente em terra qualquer chance de reforma e ainda põe em dúvida a permanência do Temer”, avalia Chico Pessoa, economista da LCA Consultores.

Campos Neto disse que “se o dólar continuar subindo, chegando a R$ 3,60, R$ 3,80, o estrago inflacionário pode ser grande e o governo vai ter que ser mais cauteloso (em relação ao corte da taxa básica de juros)”, explica.

Alex Agostini acredita que a Selic não deve ser afetada, na próxima reunião em maio, e a empresa projeta corte de 1 ponto percentual. “O BC já acompanhava a sustentabilidade da economia e como a reforma da Previdência foi colocada em dúvida, isso coloca a sustentabilidade do equilíbrio fiscal em dúvida e as chances de reduzir a taxa depende dessa aprovação”, afirma.

A LCA espera uma maior taxa câmbio, uma queda menor na taxa de juros e um ritmo menor de crescimento do PIB. “O mercado não gosta de incerteza. Se ele fica com medo, ele busca proteção e essa proteção normalmente vem no dólar”, afirma Pessoa.