Decisão que suspende eleições cria instabilidade e afeta indústria e comércio, diz CDL e Cieam

Asafe Augusto e Diogo Rocha/ redacao@diarioam.com.br

Wilson Périco e Ralph Assayag apostam em perdas para a economia (Foto: Frank Cunha)


Manaus
– Com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, de suspender as eleições suplementares, marcadas após a cassação de José Melo (PROS) e do vice-governador, Henrique Oliveira (SD), pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, acredita que a instabilidade política afetará duramente a economia no Estado nos próximos três meses. A decisão do Supremo também vai trazer complicações para o comércio, segundo o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL), Ralph Assayag.

Assista à entrevista de Wilson Périco e Ralph Assayag

O presidente do Cieam, Wilson Périco, afirmou que os impactos negativos na indústria e comércio do Amazonas devem se estender até as Eleições de 2018, que tem o primeiro turno marcado para o dia 7 de outubro. Atualmente, o Polo Industrial de Manaus (PIM) emprega, aproximadamente, 80 mil pessoas diretamente e 200 mil indiretamente, na capital do Estado.

“Ninguém faz negócios com o risco do tamanho que estamos correndo hoje. Você não tem as regras do jogo definidas. Discutimos as regras com um interlocutor, na metade do jogo esse interlocutor muda e na metade do segundo tempo muda de novo. Infelizmente, se o País passa por dificuldades por conta da incerteza política, nosso Estado passa por um momento muito pior”, afirmou Périco.

Para o Cieam, a troca frequente de comando do governo do Amazonas, por decisões judiciais, afugentará futuros investidores e a instalação de novas empresas no PIM. Mas a queda dos recursos do Estado na economia ainda não pode ser contabilizada, segundo Périco.

“Com essa decisão da Justiça, a cabeça do empresário, principalmente, aquele que estava pensando em aportar algum recurso em nosso Estado vira. Você não tem o ambiente que lhe dê segurança para aportar seu recurso”, disse Périco.

Ainda com uma análise mais pessimista em relação à manutenção dos investimentos do PIM no Estado, o presidente do Cieam aposta em uma debandada das empresas nos próximos meses. Wilson Périco não vislumbra um resgate da situação socioeconômica do Amazonas em médio prazo.

“Tudo isso está acontecendo em um momento de turbulência tão grande no País e dificuldade grande para o nosso Estado, que falando com bom senso e com a cabeça capitalista, o melhor seria: ‘Fecha tudo, vamos passar um período fora daqui e deixar as coisas se equilibrarem’. E tem muita gente pensando em fazer isso”, revelou Périco.

E nem se a eleição direta suplementar no Estado, que estava marcada para o próximo dia 6 de agosto, fosse mantida a desconfiança do empresariado acabaria, conforme o presidente do Cieam. Périco não descarta um aumento do desemprego na indústria e relembrou a queda nos postos de trabalho, que de 107 mil empregos, em dezembro de 2015, caiu para 80 mil neste ano.

“No desemprego crescente são menos pessoas com recursos para comprar e menos vendas no comércio, que é o setor que mais emprega no Estado. Então, o comércio também diminui o número de empregos e entramos em um círculo vicioso. Quando impacta no comércio, há menor demanda por novos produtos e afeta a indústria também. Esse círculo que precisamos encontrar uma forma de brecar”, analisou Périco.

O presidente do Cieam prevê uma estabilização no setor industrial do Amazonas apenas no final de 2019, quando se completar o primeiro ano de gestão do governador eleito no próximo ano. Wilson Périco criticou a falta de vontade política para sanar os problemas da economia do Estado.

“Quem menos se empenha para defender os direitos do Estado é o poder público. Você não ver movimentação de nenhum representante do governo do Amazonas, da figura do governador seja quem for, de defender os direitos dos investimentos feitos no Estado. Só quem se manifesta em em defesa desses direitos são as entidades de classe, como se fosse um favor o que o Estado faz em ter esses investimentos aqui”, declarou Périco.

 

Comércio

De acordo com o presidente da CDL, Ralph Assayag, as incertezas políticas estão a cada dia prejudicando o setor que, segundo ele, vai amargar a falta de contratações e até o fechamento de empreendimentos por todo o estado.

Conforme o presidente da entidade, as contratações para datas comemorativas que já vinham declinando nos últimos anos vão ‘beirar’ o zero. “Tudo influencia, mas só vai conseguir se sobrepor a tudo isso quem contratar para atender melhor e assim conseguir atrair o cliente”, comentou.

Ralph lamentou a instabilidade política afirmando que ela prejudica as negociações de investimento no Amazonas o que, segundo ele, vai resultar na perda de postos de trabalho. “Essa indecisão judicial sobre o governo do Amazonas traz muitas dúvidas. A Cada dia teremos mais demissões e queda nas vendas. O povo perde mais com isso. Nós, do comércio, que procuramos trazer empregos e gerar renda para o Estado estamos deixando de acreditar fazendo menos investimentos e fechando as portas”, lamentou.

O empresário lembrou que além da incerteza política o Amazonas terá, a partir do dia primeiro de julho, o aumento de 2% da carga tributária sobre o óleo diesel e outros insumos. A Lei foi uma proposta do ex-governador José Melo, mas que foi aprovada pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), onde a maioria era da base do ex-governador.

Assayag afirmou que os investidores que ainda olhavam para o Amazonas estão migrando para outros Estados. “Tivemos a saída da City Lar com isso, ficaram desempregados 290 de 21 lojas. Eu não esperava isso para a história do Amazonas. O ministro tem o poder, mas não é maior que a população”, disse.