Emprego no AM cresce, mas renda do trabalhador tem queda

Contratações mais recentes apresentam salários reduzidos, em comparação com os empregados mais antigos, segundo análise da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua

Beatriz Gomes

Manaus – A renda média do trabalhador do Amazonas caiu R$ 207 no primeiro trimestre, em relação ao quarto trimestre de 2017, e fechou em R$ 1.691, uma retração de 11%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da melhora na criação de vagas, no Estado, o rendimento médio não acompanhou a elevação. Segundo a PNAD Contínua, os empregos com carteira assinada nos três primeiros meses deste ano subiram 10,2% na comparação com os últimos três meses de 2017, o que representa uma criação de 38 mil postos. Já na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o crescimento de empregos formais foi de 50 mil vagas, alta de 15%.

AMAZONAS AMPLIA EMPREGOS, MAS A RENDA MÉDIA DO TRABALHADOR CAI.

Amazonas amplia empregos, mas a renda média do trabalhador cai.

Posted by D24am on Saturday, May 19, 2018

“Melhorou a contratação, mas ainda não foi suficiente para a pressão que o mercado tem exigido. As empresas estão contratando mais, com salários menores. Quem entra agora, entra ganhando menos do que quem já está na empresa, fazendo a mesma função ou talvez mais”, afirma o supervisor de disseminação de informações do IBGE, Adjalma Nogueira.

Quando analisado por grupamento de atividades, o setor de informação e comunicação foi o que apresentou a maior queda no rendimento, de um trimestre para o outro, 30,5% (R$ 1.133). Em seguida, aparece o comércio com retração de 15,7% (R$ 263), na mesma comparação.

A administração pública é a atividade com a maior renda média, no Estado, R$ 2.934, nos primeiros três meses do ano, apesar da queda de R$ 191, com relação ao trimestre anterior. O setor de informações é o segundo que melhor paga, R$ 2.578, mesmo com recuo de 30,5%, na comparação do primeiro trimestre de 2018 com o último de 2017. A indústria paga em média R$ 1.721 aos trabalhadores no Amazonas, comparado ao quarto trimestre do ano passado, o valor recuou levemente, 0,7% (R$ 12).

Na avaliação de Nogueira, a redução da remuneração impacta na economia, pois diminui o poder de compra do trabalhador.

“O empregador não está confiante na economia e por isso mantém o número de funcionários. Ele sabe que consegue fazer a mesma coisa que antes com menos funcionários”, disse o supervisor do IBGE acrescentando que as contratações só vão voltar a crescer se o empregador identificar uma melhora, investimentos do governo e infraestrutura, para ampliar a produção.

A massa de rendimento das pessoas ocupadas, que indica o aumento da renda e do poder de compra do trabalhador e funciona como um termômetro do quanto os salários arrecadaram dentro de um período e sua valorização permite antever possível aumento no consumo, segundo a pesquisa.

No Amazonas, a massa de rendimento das pessoas ocupadas atingiu R$ 2,39 bilhões, no primeiro trimestre, 10% abaixo do trimestre anterior e 6,3% acima do primeiro trimestre de 2017.