Inpa apresenta tecnologia para colher cachos de palmeiras

A palmhaste pode chegar a até 18 metros e é constituída por tubos de alumínio e outros materiais

Da Redação/redacao@diarioam.com.br

 

Manaus – Uma ferramenta criada no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) veio para solucionar uma das dificuldades enfrentadas pelos extrativistas e produtores rurais que trabalham com frutos de palmeiras na Amazônia. A palmhaste é usada nas colheitas de cachos de palmeiras com alto valor econômico sem a necessidade das pessoas escalarem as árvores. A coleta da forma tradicional exige preparação para escalar as palmeiras, além de ser uma atividade árdua e perigosa.

Dentre as vantagens, está a melhoria da renda familiar no Estado (Foto:Afonso Rabelo/Inpa)

A palmhaste será apresentada na próxima sexta-feira (27), das 9h às 12h, na Oficina Ferramentas para coleta de cachos de palmeiras arbóreas na Amazônia durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) do Inpa, que ocorre de 23 a 29 deste mês.

Desenvolvida pelos técnicos do Inpa, vinculados à Coordenação de Biodiversidade (Cobio), o engenheiro florestal Afonso Rabelo e os ilustradores botânicos Felipe França e Gláucio da Silva, a ferramenta foi aperfeiçoada a partir de uma tecnologia simples e de fácil manuseio.

A palmhaste é constituída por seis pares de tubos de alumínio de 1,50 metro de comprimento cada, que podem ser interligados por roscas podendo atingir de 3 metros a 18 metros de altura. A tecnologia empregada no corte dos cachos é uma foice tipo roçadeira agregada a uma corda de polietileno com 4 milímetros de espessura e de uma mangueira trancada para gás de cozinha 3/8’’.  Além desses acessórios, utiliza uma lona reforçada de 3×3 metros, tipo carreteiro para aparar a queda dos cachos.

“A haste pode ser um novo instrumento na elaboração de projetos que envolvam produtos florestais não madeireiros e de planos de desenvolvimento regional e sustentável sem a necessidade da derrabada de árvores”, diz Rabelo.

Colheita

Para retirada de cachos da forma tradicional, os extrativistas e produtores rurais escalam árvores muito altas e usam a peconha e outros instrumentos que contribuem para o aumento do desgaste físico da pessoa e até com acidentes graves.

Rabelo explica que geralmente as plantas com caules cobertos por espinhos têm os cachos de frutos coletados com o auxílio de instrumentos caseiros, como varas de madeiras ou de bambus, adaptadas com ganchos ou foices na extremidade superior. “Isto faz com que se tornem instáveis ou desequilibradas, com difícil manuseio e, muitas vezes, inoperantes”, diz.

“Por essa razão, a produtividade é afetada. Uma vez demoramos três horas para coletar um cacho de tucumã de uma planta de oito metros de altura, enquanto com a palmhaste levamos apenas três minutos”, completa.

Vantagens

Dentre inúmeras vantagens, o uso correto da ferramenta de colheita poderá promover a melhoria na renda familiar com o emprego de mão de obra ociosa ou desqualificada, evitar desgastes físicos e acidentes graves, aumentar a produtividade e estimular o extrativismo sustentado, além da melhoria da qualidade de vida, saúde e bem-estar.

A palmhaste também poderá proporcionar baixos níveis de agressividade nas palmeiras e ao meio ambiente, proteger as espécies que sofrem ameaças de supressão para as coletas dos cachos das palmeiras como o açaí-solteiro, o açaí-do-pará, a bacaba, a bacaba-de-leque, o buriti, o patauá e o tucumã-do-Amazonas.