Cresce número de estabelecimentos que encerraram suas atividades no Amazonas

Por Laís Motta


A crise econômica fez o fechamento de empresas no Amazonas, somente no primeiro semestre de 2016, quase atingir o número registrado durante todo o ano de 2015. Neste ano, já são 2.996 empresas fechadas no Estado, número 109,65% superior em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Junta Comercial do Amazonas (Jucea).

Sem demanda, lojas do comércio e empresas de serviços, principalmente restaurantes, fecharam as portas. No comércio, a estimativa é que 500 lojas de pequeno e até de grande porte tenham encerrado suas atividades no primeiro semestre do ano, conforme levantamento da Câmara de Dirigentes de Lojistas de Manaus (CDLM). Entre os que fecharam as portas estão grandes lojas em shoppings, onde o valor do aluguel é alto.

“Quando não tem venda, você não paga nada. Não consegue pagar imposto, não pagar folha de pagamento, luz. Quem não estava preparado, não estava administrativamente organizado, fecha mesmo”, disse o presidente da CDLM, Ralph Assayag.

O número de empresas fechadas entre janeiro e junho deste ano, no Amazonas, foi de 2.996 contra 1.429 estabelecimentos fecharam as portas em igual período de 2015. Em todo o ano passado, 2.998 estabelecimentos fecharam as portas.

Serviços

A redução do consumo tem relação com a falta de confiança do trabalhador em gastar, o que leva as pessoas a deixarem de consumir diversos serviços. Os estabelecimentos de alimentação também foi um dos afetados em 2016. Conforme uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o número de estabelecimentos de alimentação caiu 11,4% no Estado, de janeiro a abril desse ano, comparado ao mesmo período do ano passado.

Com o fechamento de 192 estabelecimentos do ramo alimentício, o Amazonas apresentou a segunda maior perda relativa, segundo a pesquisa, atrás do Amapá com queda de 13,4% e a frente do Espírito Santo com recuo de 11%.
Os estabelecimentos que trabalham com almoço são os que têm conseguido se manter, mas sentiram a redução no tíquete médio dos pratos, segundo a presidente da Associação Brasileira de Restaurantes e Hotelaria do Amazonas (Abrasel/AM), Lilian Guedes.

O número de empresas que fecharam as portas no segmento ainda não é grande, segundo Guedes, mas há preocupação com o futuro. “Tivemos uma redução esmagadora na margem de lucro. Por enquanto, ainda estamos no lucro positivo, é lucro reduzido, porém no positivo. Quando entrar no negativo é que a gente não sabe o que vai acontecer”, disse.

Falta de confiança

Outro dado que mostra a força da crise econômica afetando o Estado é a quantidade de empresas abertas no semestre. Foram 2.456 entre janeiro e junho de 2016 contra 2.883 no mesmo período de 2015, uma redução de 427 estabelecimentos.

O número, na avaliação do economista Ailson Rezende, é resultado da crise econômica e da falta de confiança. “Tem muita gente que perdeu o emprego, não tinha dívida, está com a rescisão no banco e não investe porque está vendo que o momento não é oportuno. A população não está segura. A pessoa pensa ‘eu não sei o que vai acontecer. Prefiro não investir porque se houver qualquer emergência vou ter aquela reserva’”, explicou.

Sem confiança, na avaliação do economista, a tendência é que o número de abertura de empresas continue caindo.