Pesquisa mostra que mulheres ganham 75% do salário dos homens

Segundo pesquisa do IBGE, as mulheres têm rendimento médio de R$ 1.764 e os homens de R$ 2.306

Beatriz Gomes e Agências / economia@diarioam.com.br

Brasília – Mesmo com o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho, a maioria delas possuir Ensino Superior completo, a redução da fecundidade, entre outros fatores, elas seguem dedicando bem mais tempo aos afazeres domésticos e cuidados que os homens. As diferenças se acentuam ainda mais quando comparadas as diferenças de renda. Entre 2012 e 2016, as mulheres ganharam, em média, 75% do que os homens ganham.

As mulheres brasileiras ocupadas dedicaram aos cuidados de pessoas e afazeres domésticos 18 horas semanais, contra 10,5 horas semanais dos homens, em 2016. Na Região Norte, a diferença chega a sete horas semanais. Os dados são da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada, na quarta-feira (7).

“A questão da carga horária parece ser um fator fundamental no diferencial de inserção ocupacional entre homens e mulheres, determinado pela divisão sexual do trabalho”, indica a pesquisa.

O estudo aponta que as mulheres brasileiras ocupadas gastam mais horas em afazeres domésticos que os homens (Foto: Agência Brasil)

Para a pesquisadora do IBGE, Caroline Santos, esse indicador é importante porque dá visibilidade a um trabalho não remunerado, que é executado pelas mulheres, dentro de casa. “Por qualquer nível de desagregação que a gente faça, seja por regiões, como por raça ou por grupo de idade, há mulheres se dedicando com um número de horas bem maior do que os homens a esse tipo de trabalho”, ressaltou.

Segundo o estudo do IBGE, a dupla jornada fica nítida para as mulheres quando elas têm que se dividir entre os afazeres domésticos e o trabalho pago. Isso faz com que elas sejam obrigadas a aceitar, em alguns casos, trabalhos mais precários ou em ocupações com carga horária reduzida.

A pesquisa mostra como a carga horária é um diferencial na inserção de homens e mulheres no mercado de trabalho. Na Região Norte, 21,3% dos homens exercem ocupação em tempo parcial, enquanto 36,8% das mulheres se ocupavam dessa forma. No Brasil, são 28,2% das mulheres contra apenas 14,1% dos homens.

Renda

Em relação ao rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos e razão de rendimentos, por sexo, entre 2012 e 2016, as mulheres ganharam, em média, 75% do que os homens ganharam ou 3/4. Isso significa que as mulheres têm rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos no valor de R$ 1.764, enquanto os homens, R$ 2.306.

Para a analista da Gerência de Indicadores Sociais do IBGE, Betina Fresneda, os resultados educacionais não se refletem necessariamente no mercado de trabalho. Segundo ela, as mulheres, por terem nível de instrução maior que os homens, não deveriam ganhar o mesmo salário, em média, deles. “Deveriam estar ganhando mais, porque a principal variável que explica o salário é educação. Você não só não tem um salário médio por hora maior, como na verdade essa proporção é menor”, disse.