Petrobras anuncia venda da concessão do campo de gás de Azulão, em Silves

Este é o primeiro ativo no Estado que a companhia vai vender e foi alvo da operação Lava Jato por suspeita de superfaturamento no projeto de uma usina térmica a gás, que não saiu do papel

Da Redação / portal@d24am.com

A exploração do gás em Silves é viável para a produção e venda de energia através do linhão Tucuruí-Manaus. Foto: Nathalie Brasil/ Arquivo

Manaus – A Petrobras anunciou que vai colocar a venda a concessão do  Campo de Azulão, na Bacia do Amazonas, nos municípios de  Silves e Itapiranga (a 204 quilômetros a leste de Manaus), com viabilidade econômica comprovada para a exploração de gás. Este é o primeiro ativo no Estado que a companhia inclui no programa de desinvestimento e foi alvo da operação Lava Jato por suspeita de superfaturamento no projeto de uma usina térmica a gás, que ficou no papel.

A companhia cita, em comunicado oficial ao mercado, que “a transação em potencial representa uma oportunidade para desenvolver uma descoberta de gás natural, perto de infraestrutura já existente, bem como de linha de transmissão de energia”, ao se referir ao linhão Tucuruí-Manaus.

A empresa informa, ainda,  que “ a presente divulgação está em consonância com a sistemática para desinvestimentos da Petrobras, que foi revisada e aprovada pela Diretoria Executiva da companhia e está alinhada às orientações do Tribunal de Contas da União (TCU)”, diz  o comunicado.

Essa bacia sedimentar se estende desde a parte central do Estado até a foz do Rio Amazonas. Na área,  a Petrobras  possui a concessão de 53 quilômetros quadrados (km²) no campo de Azulão e outros 53 km² no campo Japiim. O campo tem uma  reserva estimada em 4,7 bilhões de metros cúbicos de gás natural, descoberta em 1999, onde a companhia tinha projeto de construir uma usina térmica na ‘boca do poço’, para a venda da energia ao mercado por meio do linhão, projeto que empregaria, aproximadamente, 1,4 mil pessoas.

Em Azulão, a companhia licitou, em 2013, a construção de uma usina térmica de R$ 540 milhões, leilão vencido pela Toyo Setal, com custo médio três vezes maior do que o de usinas similares. A licitação foi cancelada pela estatal, após executivos ligados à empreiteira terem admitido participação no cartel investigado pela operação Lava Jato. A Setal, que se uniu à Toyo no Brasil, em 2012, é uma das 23 empresas impedidas de firmar contratos com a estatal enquanto durarem as investigações.

Logo após as denúncias, a Petrobras negou ter suspendido o projeto pelas investigações da Lava Jato e informou que para a monetização do gás de Azulão,  a melhor solução economicamente viável era a construção de uma usina térmica para a venda nos leilões de Nova Energia, após a construção do linhão Tucuruí-Macapá-Manaus, que contempla uma subestação de 500 kV em Silves, a 12 km do campo de Azulão. Segundo a companhia, antes da implantação da linha, o aproveitamento da descoberta era considerado economicamente inviável.