Poupança no Amazonas perde R$ 314,5 milhões

Por Laís Motta


 

Manaus – A crise econômica fez com que o morador do Amazonas sacasse ou deixasse de depositar R$ 314,5 milhões em um ano na poupança, acompanhando a perda de 44,1 mil empregos no Estado. Os dados são do Banco Central (BC) e do Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS).

“Não houve nenhuma melhora nos efeitos da crise. Não foram criados novos empregos. A população, que fez sua reserva, hoje está retirando para se manter, para pagar dívida”, avaliou o economista Ailson Rezende.

Em maio, dados mais atuais do Banco Central, o estoque da poupança do Amazonas era de R$ 4,2 bilhões. Em igual mês do ano passado, o montante era de de R$ 4,51 bilhões.
Os números coincidem com o desemprego no Estado.

Segundo o Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, houve uma perda de 44,1 mil postos de trabalho, entre maio de 2015 e de 2016, no Amazonas. Nesse período, foram demitidos 121,2 mil trabalhadores sem justa causa.

Em 2016, o volume da poupança vem caindo mês a mês. O ano começou com um estoque de R$ 4,45 bilhões e, ao cair nos meses seguintes, chegou a R$ 4,20 bilhões em maio.

Os resultados deste ano são bem diferentes dos do ano passado. Em janeiro de 2015, o estoque da poupança era de R$ 4,56 bilhões. Após cair em fevereiro, o estoque subiu nos três meses seguintes e ficou em R$ 4,51 bilhões, em maio.

Segundo Rezende, a situação econômica e do desemprego é tão séria que a população está retirando os valores depositados na poupança para pagar contas de consumo como luz, água e telefone. “O dinheiro da poupança que era pra realização de um sonho está servindo para contas de consumo”, afirmou o economista.

A poupança não é um dos investimentos mais rentáveis. Os benefícios são os de poder mexer no dinheiro em qualquer momento, de ter isenção tributária e não pagar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

“Diferente de uma renda fixa onde você pode mexer só depois de seis meses, um ano, a hora em que você estiver aperreado, você pode mexer na poupança”, disse Ailson Rezende, destacando que essa tem sido a opção de muitos brasileiros.

O trabalhador e consumidor que puder e tiver outra fonte de renda deve optar por deixar os recursos na poupança para não gastar ou procurar fundos que tenham retorno no curto prazo. “Ninguém consegue explicar, mas a pessoa com dinheiro em casa acaba gastando. O melhor é não mexer nesse dinheiro”, orienta Rezende.