Reman produz abaixo da demanda regional

Mesmo líder na arrecadação de tributos, Petrobras deixa de elevar participação ao represar investimentos

Beatriz Gomes/redacao@diarioam.com.br

Refinaria Isaac Sabbá Apesar de ser sete vezes maior do que a produção inicial de 1957, hoje planta só atende 27% do Norte. Foto:Divulgação/Petrobras

Manaus – Após 60 anos de operação, a Refinaria Isaac Sabbá (Reman), a única da Região Norte, tem capacidade para processar 46 mil barris de petróleo por dia, mas processou, no ano passado, uma média de 31,3 mil barris por dia, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Apesar de ser sete vezes maior do que a produção inicial de 1957, quando atendia toda a região, com 5 mil barris por dia, a refinaria não supre a demanda atual, o que faz o  Estado perder arrecadação de tributos com a capacidade de refino represada, apesar da Petrobras liderar o recolhimento no Estado.

Com a estratégia empresarial da companhia, que detém o monopólio no refino do País  em investir timidamente na unidade local, a Petrobras importa parte dos  derivados de  outras plantas para suprir o consumo regional.

Atualmente, a unidade  abastece 27%  do mercado da Região Norte. O último investimento da Petrobras para  ampliar a capacidade de refino da Reman foi há 17 anos. Em 2000, a planta foi estruturada para processar os atuais 46 mil barris por dia e até 5,4 milhões de litros de derivados.

Inaugurada em 3 de janeiro de 1957, à época denominada Companhia de Petróleo da Amazônia (Copam), a refinaria foi estatizada e incorporada à Petrobras em 1974 e, em 1996, foi rebatizada com o atual nome, em homenagem ao seu fundador.

Em 1994,  o pesquisador e empresário Samuel Benchimol já havia registrado no livro ‘Manaus do Amazonas – Memória Empresarial’, a falta de projetos de investimentos para a refinaria que beneficiassem a região, como prometido na incorporação pela estatal na década de 1970. “A promessa ficou no papel e passados 24 anos (1994) depois da tomada de controle acionário, nenhuma expansão foi feita, a não ser pequenas modificações no processo original que já previa a sua expansão para produzir 10 mil a 11 mil barris por dia, com pequenas alterações no seu equipamento”.

Segundo Benchimol, o consumo da Região Amazônica, em 1990, era de 2,32 milhões de metros cúbicos por ano de gasolina, querosene e óleo diesel, o que corresponde ao consumo anual de 70 mil barris por dia. “Se ao invés de produzir 11 mil barris por dia (a Reman) passasse a 40 mil barris/dia, com valor de mercado do barril a US$ 30, o faturamento seria de US$ 420 milhões contra os US$ 115 milhões. A perda é de US$ 30 milhões ao ano de ICMS para o Amazonas”, estimou à época.

Em 2015, a Petrobras recolheu R$ 1,31 bilhão em tributos, segundo dados da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).

Quando foi instalada em Manaus, em 1957, os jornais apontaram a queda dos preços dos combustíveis em até 50%. No livro ‘Isaac Sabbá’, da jornalista e historiadora Etelvina Garcia, Editora Norma- 2017,  o fundador da refinaria fala dos impactos do começo da operação da refinaria, uma empreitada que rendeu até cobertura da imprensa internacional. “É muito cedo ainda para sentir, na sua totalidade, o impacto benéfico que esta nova indústria trará a esta imensa região que tanto depende dos combustíveis líquidos para a circulação de suas riquezas nas longas vias fluviais. Porém, logo de início, o seu funcionamento determinou uma redução de 21% no preço da gasolina, 20% no do querosene e 51% no do diesel e no do óleo combustível”, disse.

Em caráter experimental, a refinaria já atendia à demanda total de consumo do Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, e abastecia de todos os combustíveis líquidos o Amazonas e os vizinhos.

Atualmente, segundo a Petrobras, a refinaria atende, principalmente, aos mercados do Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Acre e Roraima. Entre os principais produtos estão o GLP, nafta petroquímica, querosene de aviação, gasolina, óleo diesel, óleos combustíveis e asfalto.

Desde sua instalação, a Reman passou por alguns marcos que contribuíram para o crescimento. No ano 2000, entrou em operação uma nova Unidade de Destilação, o que ampliou a capacidade de produção, e desde 2009 a refinaria passou a receber gás natural via Gasoduto Urucu/Manaus. Em 2014, um novo sistema possibilitou o carregamento de asfaltos em balsas e navios, diretamente a partir dos tanques da unidade, viabilizando o atendimento a novos mercados.

Entre os principais produtos para o atendimento da demanda da Amazônia, a companhia aponta o óleo diesel marítimo e óleo para gerar  energia.