Russos levam sonho de volta a Carauari

Há mais de 30 anos que Carauari, cujo perímetro abriga cerca de 400 comunidades ribeirinhas — algumas distantes até oito horas de barco — ouve falar de suas reservas petrolíferas

Com informações de agências / portal@d24am.com

Foto: ALE/ Divulgação

Rio de Janeiro – O início de perfuração do Buriti 1, primeiro poço da petroleira Rosneft na Amazônia, renovou a esperança dos moradores de Carauari,  às margens do Rio Juruá, no Amazonas, segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo. Eles esperam que os investimentos russos deem finalmente um impulso na economia local. No início dos anos 1980, a Petrobras realizou pesquisas de petróleo e gás no município, mas bateu em retirada para Coari, onde centralizou os trabalhos da Província Petrolífera de Urucu, hoje a maior reserva terrestre de gás do País.

Agora, com a chegada dos russos à região, Carauari aguarda ansiosa a promessa de instalação de uma nova termelétrica no município. O projeto inclui uma linha de transmissão de 790 quilômetros até Manaus, onde a usina seria interligada ao Sistema Nacional de Energia (SIN). A expectativa da região em torno do petróleo é alta.

No total, a petroleira russa detém os direitos de exploração de 16 blocos na Bacia do Solimões desde 2015, quando adquiriu o controle das mãos da PetroRio (antiga HRT), sua ex-sócia.

Até que novos blocos sejam leiloados, a Rosneft é a única empresa a buscar gás e petróleo na Amazônia. Quinta maior petroleira do mundo, a gigante russa terá de vencer também as dificuldades ambientais. A companhia  terá de recuperar as áreas degradadas em três anos. A Rosneft anunciou que os trabalhos de perfuração começaram em fevereiro. O compromisso seria perfurar pelo menos sete novos poços até 2019.

Com 28 mil habitantes, Carauari vive da extração de recursos naturais. Parte da sua abundante produção de açaí é adquirida pela Coca-Cola. Na Reserva Extrativista do Médio Juruá, a Natura implantou um projeto de preservação e geração de renda em comunidades ao longo do Rio Juruá, considerado o mais sinuoso da Amazônia. Dali, colhe matérias-primas florestais, como murumuru, andiroba e ucuuba, usados em cosméticos da marca.

A expectativa é que a empresa ocupe a Base Gavião, a mesma que a Petrobras deixou há mais de 30 anos. O potencial de gás é realidade no Amazonas, que detém 10,8% das reservas provadas do País. O Estado ocupa o terceiro lugar na produção nacional, atrás do Rio e de São Paulo, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A Petrobras tem, hoje, 60 poços que produzem petróleo, condensado e gás natural na Amazônia, numa área de 350 quilômetros quadrados, nos municípios de Coari e Tefé.