Salário mínimo incrementa economia em R$ 27,1 bilhões

O aumento de 4,61% sobre os R$ 954 que vigoraram em 2018 equivale à estimativa da inflação do ano passado, 3,48%, acrescida da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2017, 1,1%

Beatriz Gomes / redacao@diarioam.com.br

Manaus – A elevação de R$ 44 no salário-mínimo que passou a valer R$ 998, em 1º de janeiro, deve incrementar em R$ 27,1 bilhões a economia do País, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O aumento de 4,61% sobre os R$ 954 que vigoraram em 2018 equivale à estimativa da inflação do ano passado, 3,48%, acrescida da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2017, 1,1%.

Segundo o levantamento do Dieese, 48 milhões de pessoas têm o salário-mínimo como referência da renda. A arrecadação tributária também vai receber incremento de R$ 14,6 bilhões sobre o consumo.

A arrecadação também vai receber incremento de R$ 14,6 bilhões. (Foto: Sandro Pereira/RDC)

No setor público, o número de servidores que ganha até um salário-mínimo é pouco expressivo nas administrações federal e estaduais. Já nas administrações municipais, a participação desses servidores é maior, especialmente na Região Nordeste. Quando se observa o impacto do aumento de 4,61% sobre o salário-mínimo na massa de remuneração dos trabalhadores do setor público, verifica-se a mesma tendência: maior impacto nas administrações municipais no Nordeste e Norte.

Considerando a série histórica do salário-mínimo e atualizando os valores médios anuais para reais de 1º de janeiro de 2019 (deflacionados por projeção do ICV- estrato inferior), “observa-se que o valor de R$ 998 estabelecido em 1º de janeiro de 2019, embora seja o maior da série, mantém-se em patamar próximo ao registrado nos últimos dois anos”, aponta o levantamento.

Valorização

A política de valorização do salário-mínimo foi conquistada como resultado da ação conjunta das Centrais Sindicais, por meio das ‘Marchas a Brasília’. As marchas foram realizadas anualmente no fim de cada um dos anos, entre 2004 e 2009. As duas primeiras marchas, em 2004 e 2005, conquistaram reajustes expressivos para o salário-mínimo nos anos seguintes. Com a terceira Marcha, no final de 2006, e por meio de negociação com o então ministro do Trabalho, foram conquistados o aumento do valor do salário-mínimo de 2007 e a adoção de uma política de valorização desse instrumento, a vigorar a partir de 2008.

“Depois do reajuste e aumento de janeiro de 2019, do ponto de vista legal, não existe mais política voltada para o salário-mínimo. Isso impõe a necessidade de avaliação dos efeitos dessa política e a defesa de sua continuidade”, destaca a análise do Dieese.