‘O futebol nordestino merece mais atenção’, diz Diego Souza

Foto: Pedro Martins /Mowa Press

Estadão / Diário do Amazonas

São Paulo – No fim de semana o atacante Diego Souza vai se apresentar à seleção brasileira disposto a quebrar paradigmas. O jogador do Sport foi uma das surpresas da lista do técnico Tite, da seleção brasileira, para as duas próximas rodadas das Eliminatórias da Copa e tem a esperança de mostrar serviço para comprovar o quanto quem atua no Nordeste do País merece ganhar mais espaço na equipe.

Em entrevista exclusiva ao Estado, o jogador comemorou o chamado de Tite com a sugestão de mais oportunidades para quem se destaca no Nordeste. “O futebol nordestino merece ser visto com mais atenção por todos. Aqui temos jogadores de muita qualidade e fazendo um bom trabalho ao longo do ano”, disse.

Qual das recentes convocações para a seleção foi mais comemorada ou surpreendente para você: a de janeiro para o amistoso ou a de agora, de semana passada? Por quê?

Acho que toda convocação é uma surpresa positiva. Nenhum jogador tem lugar cativo na seleção e, por isso, todos têm que trabalhar em seu máximo para conquistar um lugar lá dentro. A felicidade que estou sentindo agora é diferente das convocações dos anos anteriores. Meu filho está mais velho agora e consegue entender a importância de uma convocação. Além disso, ser chamado vestindo a camisa do Sport é algo que sempre guardarei com muito carinho. O Sport me deu novamente a alegria de jogar futebol e o resultado desse bom casamento foi a convocação.

Quais características da sua rotina no Recife ou do cotidiano no clube te ajudam a estar tão à vontade no Sport? Ambiente, torcida e colegas têm ajudado?

Posso dizer que foi tudo isso. Desde o meu primeiro dia aqui no Sport, fui recebido por todos com muito carinho e respeito. Recife é um lugar ótimo para se morar, parecido com o meu Rio de Janeiro, e isso foi muito positivo na minha convocação. A torcida do Sport é algo sobrenatural. Eles empurram a gente dentro de campo, e esse calor, essa energia, nos impulsiona a conquistar sempre coisas maiores. Aqui eu me sinto em casa e esse clube me deu tudo para que eu reencontrasse meu bom futebol.

Além dos trabalhos diários no Sport, você tem tomado algum cuidado especial em alimentação, rotina ou treinos para se manter atuando bem?

Claro! O futebol mudou muito nos últimos anos e, para um atleta de alto rendimento, a preparação dentro e fora de campo evoluiu muito também. Eu me cuido muito na alimentação e faço trabalhos fora do clube para manter meu corpo sempre em alto nível. São diversos fatores que ajudam um jogador a se manter assim, e o Sport sempre me deu todas as condições de trabalho necessárias para isso tudo acontecer.

Após passar por clubes do eixo Rio-São Paulo, foi a boa fase no futebol pernambucano que te deu outra chance na seleção. Esperava isso quando se transferiu ao Sport?

Tenho que admitir que a seleção era um sonho distante pra mim. Há alguns anos, eu já não pensava mais nisso como algo palpável, mas as coisas foram acontecendo de uma forma muito positiva pra mim aqui em Recife e, felizmente, essas oportunidades apareceram novamente. Brinco com meus amigos que era um desejo, um sonho adormecido dentro de mim, que reacendeu com esse chamado do professor Tite. Agora, preciso trabalhar mais ainda para ser chamado outras vezes e ir conquistando meu espaço.

Você ganhou vaga no ataque aparentemente como substituto de Gabriel Jesus. O que tem comum entre você e ele no estilo de jogo?

São estilos de jogo diferentes. O Gabriel é um garoto jovem, com uma velocidade absurda e um excelente finalizador. Eu comecei minha carreira como volante, virei meia e atuei algumas vezes como atacante. Minha posição preferida é como meia, vindo de trás, mas estou indo para a seleção com o pensamento de ajudar, seja qual for a posição que o professor Tite me coloque para atuar. Na seleção, teremos jogadores em alto nível buscando essa vaga do Gabriel Jesus, e tenho consciência de que será uma concorrência em alto nível.

Todos os seus colegas de ataque na seleção atuam na Europa em times como Liverpool, Barcelona e Bayern. Como conseguir estar no mesmo nível que eles jogando em campeonatos menos competitivos?

Na seleção brasileira só tem fera. Em qualquer posição o Tite está servido com o que tem de melhor para vestir a camisa verde e amarela. Todos que são convocados chegam lá por méritos. Vamos ter alguns dias para treinar, conversar e tenho certeza de que o professor vai tomar a atitude certa para escalar o que ele considera ideal para iniciar as partidas.

Na sua opinião, para garantir espaço como jogador da seleção jogando no Nordeste é mais difícil do que estivesse em outro time de Rio ou de São Paulo?

O futebol nordestino merece ser visto com mais atenção por todos. Aqui temos jogadores de muita qualidade e, fazendo um bom trabalho ao longo do ano, têm chances de ser convocados também, por que não? Espero estar abrindo uma porta para que outros jogadores daqui sejam convocados para a seleção.