Amazonas vive epidemia de sífilis, afirma Estado

Gisele Rodrigues / Diário do Amazonas


Manaus – Assim como no Brasil, o Amazonas vive uma epidemia de sífilis. A afirmação é da coordenadora estadual de DST/aids e Hepatites Virais, Silvana Lima. Nos últimos nove anos, segundo dados do último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde (MS), quase 7 mil casos da doença foram registrados, no Estado. Do total, até junho deste ano, 2.308 notificações eram de sífilis congênita, quando a transmissão ocorre de mãe para filho.

Este ano, a cada oito horas, uma pessoa foi diagnosticada com a doença, segundo dados do VigiWeb, serviço estatístico da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). Até setembro, 905 notificações de sífilis foram confirmadas na unidade de referência, no mesmo período do ano passado, eram 813 casos, 11% a mais, em 2016.

A maioria dos casos entre as gestantes (50%) afetou a faixa etária entre 20 e 29 anos. A segunda maior faixa de casos ocorreu entre jovens com 15 a 19 anos, onde 1.288 diagnósticos foram realizados. Grande parte dos pacientes (24%) com sífilis tinham o Ensino Fundamental incompleto.

A taxa do Amazonas de bebês com sífilis congênita, em 2015, foi de 12,9 casos a cada mil nascidos vivos – 25 vezes mais do que é tolerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e 975% a mais do que o registrado, em 2005.

De acordo com Lima, a epidemia de sífilis é uma situação que está ocorrendo em todo o País. O Ministério da Saúde admitiu, no final de outubro, que o Brasil enfrenta uma epidemia da doença. Entre junho de 2010 e 2016, o MS notificou quase 230 mil casos novos da doença, no País.

Em entrevista publicada em setembro deste ano, a médica dermatologista da Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta (Fuam), Mônica Santos,  afirmou que grande parte das mulheres descobre a doença somente durante a gestação.

Os primeiros sintomas da Doença Sexualmente Transmissível (DST) podem ser identificados após a terceira semana da relação sexual sem proteção, segundo informou a dermatologista. Feridas na área genital, de aspecto avermelhado e sem secreção devem ser observadas, segundo ela.

O tratamento das gestantes, segundo Santos, é realizado com antibióticos e deve ser feito em conjunto com os parceiros sexuais.

Quando não tratada ou quando diagnosticada tardiamente, a gestante pode transmitir a bactéria para o feto através da placenta, caracterizando a sífilis congênita, que pode provocar problemas no desenvolvimento da criança.

Além de ser porta de entrada para outras DSTs, facilitando a transmissão sexual do HIV, a sífilis pode trazer complicações como a infertilidade, no caso das mulheres, e, segundo Santos, problemas no sistema nervoso central da paciente, nas articulações, e, ainda, complicações cardíacas.