Armados contra o estresse

Tiago Melo/plus@diarioam.com.br

Manaus -Quem nunca, ao jogar um ‘Halo’, ‘Call of Duty’ ou ‘Doom’ da vida, se pôs no lugar dos combatentes e descarregou a tensão do dia em saraivadas de bala contra os adversários digitais? Comprovado que o video game não nos deixa mais violentos — pelo contrário, alivia a agressividade interna de cada um sem machucar ninguém —, por que não levar isso adiante, sem deixar de lado a segurança e a diversão dos praticantes? Essa é a proposta do airsoft.

Criado na década de 1970, no Japão, por conta das restritas leis de porte de arma, o airsoft é uma prática desportiva onde os jogadores participam de simulações policiais, militares ou de mera recreação com armas de pressão que atiram projéteis plásticos não letais, utilizando-se frequentemente de táticas militares.

Em Manaus, a prática ganhou, recentemente, um ambiente totalmente dedicado e acessível para todos: o Shot in the Dark. Localizado na Arena Mall (Avenida Pedro Teixeira, Dom Pedro), o local conta com três modos para o público ‘brincar’: o desafio, o estande de tiro e o circuito.

“O desafio é o queridinho de todos. Nele, duas pessoas tem que derrubar todos os alvos no menor tempo possível. Em três rounds, define-se quem é o vencedor. No estande de tiro é o clássico você contra o alvo, que pode estar em distâncias variáveis. Já o circuito é a experiência mais próxima que temos de um combate em aberto, onde o jogador tem que derrubar todos os alvos distribuídos pela sala”, explicou Leonardo Souza, de 42 anos, sócio e instrutor de tiro credenciado pela Polícia Federal.

Segundo Leonardo, ao contrário do que se pode pensar, o Shot in the Dark, o primeiro estande indoor da Região Norte do Brasil, não ensina os jogadores a atirar ou a se defender com o uso de uma arma real.

“As pessoas que vêm aqui — e elas são as mais ecléticas possíveis, de crianças a idosos, passando por militares, famílias e um grande número de mulheres — vêm para se divertir. Aos poucos, as barreiras do preconceito vão sendo quebradas e a ideia de um ambiente austero vai sendo desmistificada”, disse ele, ressaltando que, para jogar, a idade mínima é de oito anos (com acompanhamento dos pais até os 12). “Dos 12 aos 16 anos, é necessária a presença de um responsável. Dos 16 a 18 é preciso apresentar uma autorização escrita formal”, completou.

Com quatro modelos de armas disponíveis, sendo duas pistolas (Glock e SIG Sauer) e dois fuzis (M4 e AK-47), e valores que vão de R$ 25 a R$ 60, por pessoa, o Shot in the Dark não oferece combate entre pessoas. “Ninguém vai sair daqui machucado ou sujo”, garante Leonardo. “A única competição aqui é no tempo e, ao final de cada mês, vamos premiar quem fez o circuito mais rápido”, explicou ele.

Ainda de acordo com Leonardo, quem quiser começar a treinar e dar uns tiros por conta própria precisa estar atento para dois quesitos: a segurança, principalmente a dos olhos, ou seja, é importante estar a toda hora com óculos de proteção; e a qualidade da ‘arma’. “Recomendamos sempre comprar de lojas especializadas e já com nome no mercado, como a Sucuri, aqui em Manaus”, concluiu.