Aumenta o número de mortes violentas no Amazonas

Da Redação /Diário do Amazonas


Manaus – O Amazonas registrou o segundo maior aumento no número de mortes violentas do País, entre 2014 e 2015, pulando de 1.201 para  1.460, o que significa, em média, uma morte a cada seis horas, considerando que um ano tem 8,760 horas, ou quatro mortes por dia. A taxa de mortes por cem mil habitantes cresceu de 31,0 para 37,1. O crescimento desse tipo de morte  cresceu 19,6% no Estado, que subiu duas posições no ranking dos mais violentos do Brasil. Os números foram divulgados pelo  Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em Manaus, o crescimento foi de 26,8%, o que levou a subir cinco posições no ranking.

As mortes violentas no Amazonas no período estão na contramão do restante do Pais, onde o  número de assassinatos, em 2015, caiu 1,2% em relação ao ano anterior, após uma sequência de altas, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O que demonstra o fracasso da política de segurança pública, nesta área, logo nos dois primeiros anos do governo de Jose Melo.  Foram 58.383 crimes chamados de “violentos letais intencionais”, que engloba ocorrências como homicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e vítimas de ações policiais, o que representa 160 vidas perdidas por dia. O número de mortes no Brasil é maior do que o registrado na Síria. No ano passado, a organização não governamental Observatório Sírio de Direitos Humanos contabilizou 55.219 ocorrências no país em guerra.

Coordenador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o professor Cláudio Beato vê com preocupação o número nacional. “O que o número está mostrando é que ainda estamos em um patamar bastante elevado. O Brasil é hoje em termos absolutos o País que mais mata no mundo. São patamares críticos principalmente se você considerar que são muito concentrados em certas regiões do País, como no Nordeste, que foge completamente do padrão, e em alguns pontos das áreas metropolitanas, onde se tem um número muito alto de homicídios”, diz.

O secretário de Estado de Segurança Pública , Sérgio Fontes, reconheceu o fracasso, mas segundo ele o resultado negativo não se refere somente aos anos de 2014 e 2015, citados na pesquisa, como também aos anos anteriores.

“Não é um fracasso dos dois anos, o fracasso é da política de segurança pública como um todo. E não só no Estado, todo o país vive isso”, justificou.

Na avaliação de Fontes, a política de segurança pública precisa ser acompanhada por projetos sociais. De acordo com o secretário, a polícia trata apenas a “consequência” da falta de apoio social no Estado.

“Na época de crise, projetos sociais sofreram uma diminuição, mas não é nossa atribuição comentar isso, está assim no Brasil inteiro. O Rio de Janeiro também vive um fracasso nas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), por falta de aporte social. Segurança Pública não é só polícia, é preciso política de segurança pública. É como sempre digo, a polícia não fabrica bandidos, não atua na causa, só na consequência”, afirmou.

Ao contrário do resultado apresentado pelo Fórum, o secretário garante que no ano de 2016 o Amazonas vai estar entre os dez Estados com maior redução do índice de homicídios. Ainda segundo informações do secretário, neste ano o Amazonas registrou recuo no número assassinatos de 50% no interior do Estado, 20% na capital e 25% em todo o Amazonas.

“70% homicídios são ligados ao narcotráfico, a meta do governo federal para este ano é reduzir 5% e nós estamos acima, 5x a mais do que a meta. Em 2016 o Amazonas deve ser um dos dez Estados que mais baixaram o número de homicídios”, garantiu.