Caso Sotero: defesa do acusado pede reconstituição da morte de advogado

Segundo a acusação, o MP e os advogados da viúva, Fabíola de Oliveira, são favoráveis. O pedido está sendo analisado pela Justiça. Advogado foi morto dentro de uma casa noturna

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – A defesa do delegado da Polícia Civil (PC), Gustavo Sotero, réu no caso do assassinato do advogado Wilson Justo Filho, 35, dentro de uma casa noturna, na zona oeste de Manaus, no fim de 2017, pediu a reconstituição do crime. Segundo a acusação, o Ministério Público do Estado (MP-AM) e os advogados da viúva, Fabíola de Oliveira, são favoráveis. O pedido está sendo analisado pela Justiça.

Sotero é acusado de matar advogado dentro de casa noturna (Foto: Reprodução)

Para acompanhar a recomposição dos fatos, Fabíola contratou o perito Ricardo Molina, um dos mais famosos do País, o mesmo contratado pelo presidente Michel Temer, para análise da gravação de Joesley Batista.

Os advogados do delegado da Polícia Civil (PC) pediram a reconstituição do crime em janeiro deste ano, segundo informou a assistente de acusação Catharina Estrella. “Sou favorável. Contratamos Molina porque ele pode, inclusive, perguntar das pessoas, onde estavam as vítimas. Se foi um tiro de ricochete ou direto. Consideramos uma prova válida. Até porque o exame do local do crime (feito pelo Instituto de Criminalística) não foi satisfatório. Vai provar cabalmente que o delegado teve a intenção de matar”, opinou a advogada.

Segundo Estrella, após a aprovação do MP e da assistência de acusação, a juíza do caso, Mirza Thelma, vai despachar, nos próximos dias, o pedido para o Instituto de Criminalística da Polícia Civil.

De praxe, devem participar da reconstituição vítimas e testemunhas, além de Sotero, que continua preso há cerca de quatro meses na carceragem do Grupo Fera, na Delegacia Geral (DG), bairro Dom Pedro, zona centro-oeste de Manaus. A defesa de Sotero também indicou um perito assistente para acompanhar a reconstituição.

Após o despacho da juíza, Estrella pretende pedir que o réu não esteja presente no momento em que as vítimas farão a reconstituição. Segundo ela, Fabíola, desde a morte do marido, faz acompanhamento psicológico para superar o luto e o trauma. “Foi explicada a ela (Fabíola) que concordou em fazer. Vamos requerer que o acusado não participe junto com as vítimas. Que presença dele seja substituída por alguém que encene a parte dele”, explicou a assistente da acusação.

Sobre a elaboração dos laudos, a advogada afirmou que vai pedir o vídeo do circuito de segurança da casa noturna, na íntegra. Na avaliação da assistente da acusação, o laudo sobre o vídeo foi corporativista e deixa margem para interpretação de legítima defesa, por parte do acusado. “Está tramitando rápido. O conteúdo dos laudos foram inconclusivos em relação ao audiovisual. Já o laudo da arma ficou realmente muito bom. Mas, no do vídeo, o corporativismo sugere que houve tese defensiva”, disse.

Molina vai elaborar, junto ao laudo do Instituto de Criminalística, um laudo complementar, segundo explicou a advogada. “Ricardo Molina é um perito famoso, que sempre dá entrevista para a Globo e vai ser um colaborador. O perito tem condições de dizer que está errado, ele vai saber acompanhar e apontar algum equívoco”, disse.

Molina se envolveu em casos de repercussão nacional. Sua fama começou em 1996, com as investigações sobre a morte de Paulo Cesar Farias, o PC Farias, empresário e tesoureiro da campanha eleitoral do ex-presidente Fernando Collor.

Testemunhas excluídas

Cinco testemunhas de defesa do delegado da Polícia Civil podem ser excluídas do julgamento de instrução marcado para junho deste ano.
Os advogados da viúva, que fazem parte da assistência de acusação pediram na justiça a retirada de parte das testemunhas intimadas pela defesa do delegado.

Segundo o processo, o artigo 401 do Código Processual Penal prevê que na instrução poderão ser inquiridas oito testemunhas arroladas pela acusação e oito pela defesa. Ao todo, Sotero intimou 13 testemunhas de defesa.

Além da acusação de homicídio, a justiça também aceitou a denúncia de tripla tentativa de homicídio contra a mulher do advogado e outras duas vítimas.

Júri só em 2019

Na primeira fase do julgamento, no dia 14 de junho, a juíza vai decidir se existem elementos suficientes para levar o caso ao júri popular. O delegado pode ser, nesta etapa, absolvido sumariamente ou sofrer a pronúncia do crime, quando o acusado é levado a julgamento.

Catharina prevê que a instrução deve ser concluída até o fim do ano, mas, para o júri popular, o caso deve estar apto somente no ano de 2019. Segundo a advogada, após a instrução, Sotero ainda poderá recorrer.

“Acredito que a instrução probatória termine até o final do ano. Só a juíza vai determinar, mas creio que existem elementos suficientes para levá-lo a júri porque essa decisão, se foi legítima defesa ou teve a intenção de matar, cabe ao júri falar isso”, disse.