Casos de sífilis têm maioria em grávidas no Amazonas

Gisele Rodrigues /Diário do Amazonas


Manaus – No Amazonas, 65% dos casos de sífilis registrados neste ano foram diagnosticados em mulheres grávidas, conforme dados do Sistema de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS). Um dos motivos das gestantes representarem a maioria dos casos é a obrigatoriedade da realização do exame que identifica a doença no pré-natal, de acordo com a dermatologista da Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta (Fuam), Mônica Santos. A maioria das mulheres, segundo a especialista, descobre a doença somente durante a gravidez.

No primeiro semestre, 1.442 pessoas receberam resultado positivo para a doença no Estado, conforme o MS.

A dermatologista explicou que os primeiros sintomas da Doença Sexualmente Transmissíveis (DST) podem ser identificados após a terceira semana da relação sexual sem proteção. Feridas na área genital, de aspecto avermelhado e sem secreção devem ser observadas. Nos homens, a doença possui maior facilidade de identificação no exame clínico, porque as feridas ficam expostas. Já no caso das mulheres, é possível que as feridas estejam na parte interna e a doença não apresente sintomas.

O tratamento das gestantes é realizado com antibióticos e deve ser feito em conjunto com os parceiros sexuais. “Muito importante que o parceiro também faça o tratamento, para que não continue havendo transmissão”, explicou Mônica Santos. Segundo o infectologista e consultor médico do Laboratório Sabin, Marcelo Cordeiro, o tratamento não adequado da doença em gestantes pode ocasionar parto prematuro, aborto ou malformação da criança. “Por isso, é importante fazer o exame no pré-natal”, afirmou o infectologista.

Quando a doença não é tratada ou é diagnosticada tardiamente, a gestante pode transmitir a bactéria para o feto através da placenta, caracterizando a sífilis congênita, que pode provocar problemas no desenvolvimento da criança. “O melhor é a prevenção da doença com o uso de preservativos”, disse Santos. A dermatologista explicou que, além de ser porta de entrada para outras DSTs, facilitando a transmissão sexual do HIV, a sífilis pode trazer complicações como infertilidade, no caso das mulheres, problemas no sistema nervoso central, nas articulações e complicações cardíacas.

Gonorréia e clamídia 

Em terceiro lugar no ranking de pesquisas sobre doenças na internet no Estado, conforme o site de buscas Google, a gonorréia é uma DST silenciosa, ou seja, os sintomas não se manifestam em todas as pessoas. No primeiro semestre de 2016, de acordo com dados do MS, 333 pessoas, sendo três gestantes, foram diagnosticadas com a doença. Com sintomas semelhantes aos da gonorréia, a clamídia acometeu 41 pacientes, sete eram mulheres grávidas, neste mesmo período.

O principal sintoma das duas doenças é o corrimento, que, conforme Cordeiro, pode ser purulento ou não. “As mulheres, em especial, devem ser bastante cuidadosas, uma vez que, em diversos casos de DST, não é fácil distinguir os sintomas das doenças das reações orgânicas comuns de seu organismo. Isso exige da mulher consultas periódicas ao médico. Algumas DSTs, quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem evoluir para complicações graves, como a incapacidade de engravidar”, disse o infectologista.