Chapecoense inicia a reconstrução para se reerguer

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Chapecó – A partir de hoje (5), uma nova página começa a ser escrita na história da Chapecoense. A ordem no clube é enxugar as lágrimas e iniciar o árduo trabalho de reerguer o time catarinense para, quem sabe, recolocá-lo no patamar onde estava até a tragédia da última terça-feira ou acima disso. Mas será necessário muita ajuda e trabalho.

Clubes de todo o mundo prometeram auxiliar a equipe de Chapecó a se reerguer. Financeiramente, o clube vivia situação invejável para a maioria dos times de futebol brasileiro e nos últimos anos vinha fechando as contas no azul, sem que os dirigentes colocassem qualquer centavo do próprio bolso.

No total, a Chapecoense teve, neste ano, uma renda de R$ 45 milhões, sendo R$ 25 milhões oriundos da cota de TV, R$ 9 milhões dos patrocínios da Caixa e Aurora e mais R$ 9 milhões de outras fontes (venda de produtos, sócio-torcedor e ingressos). Entretanto, em nenhum ano foi preciso montar um novo time como agora. Por isso, a diretoria está propensa a aceitar que jogadores cheguem por empréstimo.

Clubes da Série A se comprometeram a ceder gratuitamente atletas para o clube catarinense na próxima temporada. Até times do exterior também querem ajudar. O Libertad-PAR, o Racing-ARG e o Benfica-POR prometeram dar alguns reforços.

A diretoria vai promover diversos garotos das categorias de base e analisará a situação de todos os atletas do atual elenco. Eles têm contrato até o fim do ano, mas avisaram que querem ficar para ajudar na reconstrução. No total, são 11 jogadores, entre eles o goleiro Marcelo Boeck e o meia Martinuccio.

Além de clubes, empresários também estão dispostos a ajudar. O agente Jorge Machado, que cuidava da carreira de Matheus Biteco, Dener Assunção e Tiaguinho, todos mortos na tragédia, avisou a diretoria que pretende ajudar levando atletas para o clube.

Existe ainda um grupo de empresários dispostos a investir cerca de R$ 30 milhões em contratações. A Chapecoense diz não saber de tal disposição, mas afirma que a ajuda seria bem-vinda.

Existem dois pontos que mais preocupam a diretoria no momento. O primeiro é definir quem será o técnico já que a quase toda a comissão técnica – inclusive o técnico Caio Júnior – morreu. Existe a possibilidade de recorrerem a algum treinador que já tenha dirigido o time, para facilitar na questão da adaptação e ter maior apoio das arquibancadas.

Outra situação que faz todos na Chapecoense ficarem atentos é com possíveis aproveitadores. Os dirigentes sabem que o clube catarinense pode ser usado por clubes, empresários e atletas para se promover. Por isso, já avisaram que não pretendem contar com nenhum grande nome do futebol para ajudar na reconstrução. Exceto, se sentirem que pode ser útil.

Força-tarefa de 3 países para investigar o acidente

Uma ‘força-tarefa’ formada pelos governos de Brasil, Colômbia e Bolívia investigará as causas da queda do avião da LaMia que matou 71 pessoas em Medellín. Entre as vítimas estavam a delegação da Chapecoense e um grupo de 20 profissionais de imprensa brasileiros.

O primeiro encontro que decidirá os rumos da investigação acontecerá nesta quarta-feira, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve participar da reunião com procuradores-gerais da Colômbia, Néstor Humberto Martínez Neira, e da Bolívia, Ramiro José Guerrero Peñaranda.

Foi Peñaranda que convidou os procuradores-gerais brasileiro e colombiano. “Esta reunião faz parte da iniciativa dos três procuradores-gerais para energizar a investigação deste evento infeliz e garantir que seja feita justiça imediata para as famílias das vítimas”, informou, por meio de comunicado, o governo boliviano.

Ontem, o governo boliviano abriu uma investigação com o objetivo de esclarecer a relação da LaMia com funcionários da Direção Geral de Aeronáutica Civil (Dgac), uma espécie de Anac boliviana. Além disso, um grupo de 20 peritos vai analisar os dados de navegação e da caixa preta do avião. Esse trabalho será feito por ingleses porque a aeronave foi fabricada no Reino Unido, o que pode demorar seis meses.