CMA prorroga entrega de processo que apura morte da onça Juma

Por Gisele Rodrigues / Diário do Amazonas


Manaus – Previsto para ser finalizado no último dia 20 de julho, o Comando Militar da Amazônia (CMA) resolveu prorrogar o prazo para entrega do resultado do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura a morte da onça Juma ocorrida na solenidade do revezamento da Tocha Olímpica no mês de junho deste ano.

A informação foi repassada ao DIÁRIO, após um prazo de 33 dias da solicitação realizada por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). No entanto, o órgão não informou o motivo da prorrogação, tão pouco o período de prolongamento das investigações.

O CMA informou que, após a conclusão, o resultado será repassado aos órgãos competentes e comunicou, ainda, que, “em princípio, não haverá participação de animais no Desfile da Independência, que acontece, na próxima quarta-feira (07), no Sambódromo”.

Caso

No último dia 24, o Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) ingressou com ação civil pública na Justiça Federal para que o Exército seja condenado a pagar indenização pela morte da onça Juma. O animal foi morto com dois tiros, após ser exibido na cerimônia de revezamento da Tocha Olímpica. O órgão também pede a proibição de animais silvestres em eventos públicos.

O MPF pediu que o Exército deve ser condenado a pagar, pelo menos, R$ 100 mil, pela perda de um animal silvestre ameaçado de extinção. O órgão pede, ainda, que o Exército seja condenado a pagar, pelo menos, R$ 1 milhão por danos morais coletivos.

O animal participou da cerimônia, que também contou com apresentação da onça-pintada Simba, realizada no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), em Manaus, no dia 20 de junho. Após o encerramento da programação, ao ser conduzida pelos tratadores à viatura de transporte, a onça Juma se soltou das correntes.

O relatório do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) indica que foram disparados quatro dardos com tranquilizantes, mas apenas um atingiu o animal, injetando o anestésico.

Naquele momento, a onça avançou em direção aos militares que lançaram os dardos, possivelmente para atacá-los. Ainda de acordo com o relatório, foram efetuados dois disparos de pistola que atingiram a cabeça do animal, com o objetivo de garantir a segurança dos militares presentes no local.

De acordo com o MPF, o Ipaam informou que Juma foi utilizada no evento da Tocha Olímpica sem autorização para transporte e apresentação na cerimônia. O relatório do Ipaam afirma que a decisão do Comando Militar da Amazônia (CMA), de utilizar o animal na apresentação, foi tomada às vésperas da data do evento.