Coluna ‘Claro & Escuro’: Estado tenta dividir responsabilidade pela barbárie

Da Redação / portal@d24am.com


Manaus – “Vocês vão imprensar só a mim?”, indagou o governador do Amazonas, José Melo (PROS), diante da quantidade de perguntas feitas pela imprensa de Manaus na entrevista coletiva sobre providências diante da chacina de detentos nas prisões. A entrevista ocorreu, na noite de ontem,  no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), e também contou com  a presença do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que foi a ‘segunda opção’ como entrevistado pela imprensa local.

Governo José Melo perde controle do sistema prisional

A completa falência do Estado na gestão do sistema prisional deixa a sociedade exposta à insegurança e ao descontrole da situação, com a barbárie prevalecendo sobre o estado de direito. Detentos com armamentos pesados e telefones celulares filmam a chacina e mostram nas redes sociais como troféus, ato que choca o País e causa repercussão na imprensa internacional. Ao tentar confundir a opinião pública, o secretário  de Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio, lava as mãos e nega a falha do governo José Melo em garantir a gestão do sistema, ao apontar que tudo fora feito sem planejamento.

O próprio Melo, em coletiva, disse que, até domingo, a situação era “tranquila”. Este capítulo é herança da permissividade já ocorrida em 2013, no governo Omar Aziz,  quando 176 detentos fugiram do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), até então a maior fuga do Estado. A separação das facções não foi feita.  Uma conversa, em 2014, entre o líder da ala responsável pela chacina teve áudio divulgado pelo site da revista Veja, que apoiava a candidatura de Melo.

Cabeça de secretário
Nos bastidores, investigadores comentavam, ontem, que o secretário de Administração Penitenciária, Pedro Florêncio, pediu para deixar o cargo. A saída não aconteceu, segundo os policiais, porque o governador pediu para ele permanecer.

Ativação às pressas 
Menos de três meses depois de ser desativada, a centenária Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoal poderá ser reativada às pressas para receber os detendos do Primeiro Comando da Capital (PCC).  A afirmação do secretário Pedro Florêncio expõe, mais uma vez, a falta de planejamento no comando do sistema priosional. A cadeia Vidal Pessoa foi desativada em outubro de 2016 e o prédio seria entregue à Secretaria de Estado de Cultura.

 Falta de controle
Com a transferência de presos ligados ao PCC para a Vidal Pessoa, os detentos ligados à Família do Norte (FDN) ficarão com o Compaj. A questão por trás disso é a falta de capacidade dos gestores do sistema prisional de controlar quem já está preso. Há falhas que permitem a entrada de armas e o uso de celulares é constante dentro dos presídios.

Mortes investigadas
Uma força-tarefa formada por delegados de unidades especializadas e Distritos Integrados de Polícia (DIPs)  vai investigar as mortes no Compaj, no primeiro dia do ano.

Responsabilização
Um dos objetivos da força-tarefa é identificar os líderes do movimento no dia 1º de janeiro e responsabilizá-los criminalmente pelo segundo maior massacre no sistema prisional do País. Serão verificadas as imagens de câmeras do circuito interno do Compaj.

Agendamento no TRE 1
O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) reinicia, nesta terça-feira, o processo de agendamento na internet para o atendimento aos eleitores.

Demora do governador
Em meio ao caos no sistema prisional, o governador do Estado demorou mais de 24 horas para se pronunciar. Em gestão de crises, mundo afora, o governante vai quase que imediatamente para a mídia dar um posicionamento à população.