Contêineres frigoríficos serão alugados para identificação dos mortos em presídio

Da Redação / portal@d24am.com

Thiago Monteiro e Carla Albuquerque


Manaus – Cinco veículos do Instituto Médico Legal (IML) e dois carros do SOS funeral saíram, por volta de 9h35 desta segunda-feira (2), com os corpos de detentos do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no quilômetro 8, da Rodovia BR-174. Os cadáveres foram encaminhados ao IML, no bairro Cidade Nova, zona norte da capital. Segundo o secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, serão alugados contêineres frigoríficos para agilizar o trabalho de identificação.

Os detentos foram mortos durante um confronto entre as facções Família do Norte (FDN) e Primeiro Comando da Capital (PCC). A rebelião iniciou na tarde de domingo (1).

A Polícia Militar e Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) não informou a quantidade de corpos que foram removidos.

“Temos 20 gavetas no IML, vamos precisar alojar em algum lugar com dignidade para que eles sejam identificados. Todos sofreram muita violência, mesmo para mandar um recado para outra facção”, disse o secretário Sérgio Fontes.

No IML, familiares de detentos do Compaj estão em busca de informações sobre a lista dos mortos durante o massacre, ocorrido no domingo.

A reportagem conversou com alguns familiares, os quais ainda não tem a confirmação da morte dos parentes. No entanto, confirmam que eles estavam na área comandada pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC. A dona de casa Marcia Sampaio da Silveira, 44, é  mãe do detento Luiz Otávio Sampaio Almeida, 26.

Marcia disse que o filho estava há um mês na área conhecida como ‘Palatorio’, local de domínio do PCC. “Sempre houve essas ameaças de morte e toda vez que íamos lá,  ele nos falava que o pessoal da FDN queria matar todos”, disse ao informar que ainda não sabe se o filho está entre os mortos.

Quem também está na incerteza da morte do filho é  o aposentado Manoel Souza,  64. O filho dele, Janiarlison Feitosa dos Santos, 23, que cumpria pena por tráfico há quatro meses e estava na área de isolamento preso próximo da cela do ex-policial militar Moacir Jorge Pessoa da Costa, o ‘Moa’, que teve a morte confirmada pelo secretário de segurança,  Sérgio Fontes.

“Na verdade, a gente não sabe se ele estava morto. Ninguém nos fala nada. Essa incerteza acaba com a gente, nos deixa muito angustiados”, falou Manoel. A mulher do aposentado, que não teve o nome divulgado, foi fazer buscas nos prontos-socorros.

 

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