Cresce o número de ambulantes nas ruas do Centro com alta do desemprego

Manaus – Com as altas taxas de desemprego, muitas pessoas estão buscando renda como ambulantes nos cruzamentos e nas ruas do Centro de Manaus. Muitos dos novos camelôs são vendedores de loja demitidos nos últimos meses, resultado da crise que afeta a  indústria, o comércio e os serviços.

É o caso de Luan Alves, 22, que está há pouco mais de um ano vendendo barbeador elétrico nas proximidades da Igreja Matriz,  Centro. “Um amigo que já trabalhava dessa forma me chamou para vender. Consegui um canal para comprar mais barato e vender na rua”, conta. “Depois que comecei a vender, outros três amigos começaram a fazer o mesmo no Centro”, disse.

Já  Francisco Luiz Cruz, 42, vendia água e refrigerante paralelo ao emprego de vendedor de loja no Centro até perder a atividade formal. “Depois de ficar desempregado, fiquei só com essa renda”, disse. Luiz deixa a caixa de isopor na calçada da Rua Lobo D’Almada e conta que há alguns meses o local começou a encher de ambulantes, principalmente, pela manhã. “Aumentou o número de vendedores de tudo, mingau, fruta, verdura, água, carregadores de celular”, aponta Cruz.

Trabalhando como vendedora de frutas e verduras há mais de 30 anos, no Centro, Astri Alves, 40, conta que o número de carros de verduras mais que triplicou nas proximidades. “Se tiver 20 veteranos no Centro é muito porque estão vindo tio, primo, irmã, tudo sem emprego para trabalhar aqui”, afirma.

Taxista há 17 anos trabalhando próximo ao terminal da Matriz, ao lado do Banco do Brasil, Zenith Ramos, 50, também conclui que a falta de emprego fez o número de vendedores ambulantes no Centro aumentar. “Eu noto isso por causa da aglomeração de bancas uma do lado da outra”, disse.

Já o vendedor de banana frita Vicente Pereira, 51, diz que há dois anos no local só havia ele e  outro vendedor de banana na Rua Epaminondas, próximo ao Colégio Dom Bosco. “Agora, são mais de 20, muitos deles são colombianos, cubanos, venezuelanos e haitianos”, disse.

Os irmãos Adailson e Carlos Augusto da Silva Souza, 33 e 28 anos, respectivamente, trabalham desde criança com carrinho de verdura no Centro e dizem que está cada vez mais difícil vender. “Antes era um carrinho depois de 300 metros era outro, hoje, é um do lado do outro. Para vender tem que ter muito gogó e andar bastante”, disse.

Os ambulantes reclamam da fiscalização da Prefeitura que proíbe a comercialização  nas ruas do Centro. Na última quarta-feira à tarde, os fiscais passaram causando alvoroço entre os ambulantes que tentavam salvar suas mercadorias. “Eles estão passando de quatro a cindo vezes por dia por causa do aumento no número de ambulantes”, conta um vendedor que não quis se identificar. Ele trabalhou 14 anos em uma loja de calçados e ficou desempregado em setembro do ano passado. Para  melhorar a renda da família, decidiu vender carregadores de celular e meias no Centro. “Peguei a indenização e comprei material mais barato para revender aqui na rua”, disse.

 Formalização

De acordo com o Portal do Empreendedor, em 12 meses, 8,4 mil pessoas se cadastraram como Microempreendedor Individual no Amazonas (MEI). No total, são 57,7 mil MEI no Estado.

Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios,  cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal e lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares e  minimercados, mercearias e armazéns respondem juntos por 13% do total de atividades escolhidas pelos Microempreendedores Individuais no Amazonas.