Crescem casos de Chikungunya no Amazonas

Por Gisele Rodrigues / Diário do Amazonas


Manaus – O monitoramento do Ministério da Saúde (MS) apontou que, até o mês de julho deste ano, o número de casos da febre chikungunya, no Amazonas, foi 51 vezes maior que no ano passado. O vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti infectou 568 pessoas de janeiro a julho deste ano, enquanto que, segundo o MS, em todo ano de 2015, 11 pacientes apresentaram os sintomas da febre chikungunya. Em relação aos casos de dengue no Estado, até o mês de julho, 7.323 pessoas já haviam sido infectadas, enquanto que, em todo ano passado, foram registrados 2.998 casos, um aumento de 144%.

De acordo com o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Bernardino Albuquerque, a doença é a mais agressiva dentre as transmitidas pelo vetor. Isso porque, segundo ele, o vírus evolui do estado agudo para o crônico em cerca de 30% dos casos diagnosticados.

A doença apresenta um quadro de febre acima de 39 graus e dores intensas nas articulações de pés e mãos que podem durar anos, segundo explicou o diretor-presidente. “As dores articulares dessa doença acabam determinando a incapacidade do paciente, a dificuldade de andar, levantar, daí o nome de chikungunya que significa andar encurvado. Essas dores podem durar anos”, disse.

A empresária Graça Aloísio, 56, recebeu o diagnóstico da doença em novembro do ano passado, mas até hoje reclama de dores nas articulações. “Eu fiquei em casa de cama mais de dois meses. Nunca fiquei tão mal assim na vida. É horrível essa doença e a gente não sente melhoras, até hoje sinto dores”, garantiu.

Outro fator preocupante, segundo Bernardino, está associado à infecção em pessoas com doenças crônicas como diabetes, hipertensão e obesidade. Nesses pacientes, conforme Albuquerque, a doença apresenta, ainda, complicações cardíacas e cerebrais.

“O grande problema é a evolução da fase aguda para a crônica e nesses casos tem grande chance de óbito”, alertou. Segundo ele, dores de cabeça e nos músculos além de manchas vermelhas na pele também podem ocorrer.

 

Dengue e zika 

O monitoramento do MS mostrou, ainda, que a dengue também tem avançado. Este ano, até o mês de julho, 7.323 pessoas já haviam sido infectadas, enquanto que, em todo ano passado, foram registrados 2.998 casos.

Apesar do aumento (144%), Bernardino comemorou o fato da doença não ter feito vítimas fatais este ano. “É um grande avanço não ter óbito por dengue e isso se deve à precocidade do atendimento dessas pessoas, isso tem feito a diferença. A infecção só é prevenida mesmo, se matar os mosquitos e isso depende da interação de toda a população”, pontuou.

O aumento do período chuvoso traz uma maior multiplicação do vetor transmissor da dengue, chikungunya e zika. De acordo com Albuquerque, a densidade aumenta a partir do mês de novembro persistindo até o mês de maio. A segunda edição deste ano do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) deve ser finalizado no início de setembro e, conforme Albuquerque, vai possibilitar o planejamento de combate em todo o Estado. O diretor explica que, com o LIRAa, é possível identificar quais municípios e bairros possuem maior infestação do Aedes.

“Apesar de já termos identificado uma diminuição no anterior esse não é o momento de relaxar”, disse ele sobre os dados preliminares.

Nos últimos dez meses, 4.055 pessoas no Estado receberam diagnóstico positivo para o zika vírus.