Desemprego bate novo recorde e atinge 12 milhões no País, aponta IBGE

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Brasília – A crise no mercado de trabalho já resultou em quase 5,5 milhões de desempregados a mais no País, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população desempregada alcançou patamar recorde de 12,042 milhões de pessoas no trimestre encerrado em outubro, 20 mil a mais do que em setembro, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

A taxa de desemprego manteve-se no pico de 11,8% ao ano. Mas, contrariando a tendência sazonal de geração de vagas no fim do ano, foram cortados 604 mil postos de trabalho entre julho e outubro, aponta o IBGE.

“Essa perda de quase 600 mil postos de trabalho quase no final do ano é o quadro mais alarmante da Pnad Contínua. O desenho sazonal apontava para outra direção”, avaliou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. “Em função da desconfiguração da sazonalidade, apostar em redução na taxa de desocupação no último trimestre fica mais complicado”, reconheceu Azeredo.

Em outubro, a taxa de desemprego só não aumentou porque houve migração de quem perdeu o emprego para a inatividade, sob indícios de desalento. O fenômeno ocorre quando as pessoas deixam de procurar emprego por acreditarem que não conseguirão uma vaga.

“A desocupação estável dá uma primeira leitura favorável, mas a ocupação cai e a população fora da força de trabalho aumenta. As pessoas perderam emprego e não estão procurando trabalho. São pessoas que podem estar desestimuladas a procurar trabalho”, ponderou Azeredo, lembrando que o desalento é um fenômeno característico de períodos de crise.

Na avaliação do economista-chefe e estrategista da Azimut Brasil Wealth Management, Paulo Eduardo Nogueira Gomes, a taxa de desemprego deve atingir o ápice apenas no final do segundo trimestre de 2017, para só então começar a cair. “Infelizmente, não estamos em um ponto de inflexão”, disse Gomes.

Se a piora no emprego notada até aqui veio do setor privado, a deterioração no mercado de trabalho nos próximos meses deve ser puxada por ajustes no setor público, prevê o economista e sócio da MacroSector Fabio Silveira. Ele espera elevação na taxa de desemprego até ao menos 12,5% em 2017, impulsionada pela demissão de funcionários nas diferentes instâncias governamentais para adequar o quadro de trabalhadores à queda na receita.

Inatividade
“A crise do setor privado já gerou desemprego e ainda destruiu a receita pública. Agora isso vai gerar desemprego no setor público em escala que vai desde a União até os municípios”, disse Silveira, lembrando que muitos prefeitos recém-eleitos já anunciaram enxugamento da máquina pública municipal com cortes de cargos.

Desde que o emprego ainda mostrava vigor, no trimestre encerrado em outubro de 2013, até o trimestre encerrado em outubro de 2016, a fila do desemprego aumentou em 5,472 milhões de pessoas, calculou o pesquisador do IBGE.

Média salarial do trabalhador registrou queda em 12 meses
A Pnad Contínua apurou que quem permaneceu empregado viu o salário encolher. A renda média do trabalhador ocupado caiu 1,3% no período de um ano, mas cresceu 0,9% no trimestre encerrado em outubro ante o trimestre anterior, encerrado em julho: passou de R$ 2.006 para R$ 2.025. No entanto, o movimento não é favorável. Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, a renda média aumentou por causa do corte de vagas com salários mais baixos.

“Não temos aumento de dissídio algum, não temos aumento de salário mínimo. A conclusão que se chega é que as pessoas que perderam emprego com carteira assinada foram as de menores rendimentos, consequentemente, isso faz a média da renda subir”, disse Azeredo.

Houve redução de 303 mil postos de trabalho com carteira assinada no setor privado entre julho e outubro.

A taxa média de desocupação este ano e em 2017 deve ficar bem acima da marca de 8,5% de 2015. Pesquisa do Projeções Broadcast mostra que as expectativas preliminares de 23 instituições para o nível de desemprego médio em 2016 estão entre 11,20% e 12,50%, com mediana de 11,30%. Para 2017, as estimativas vão de 11,10% a 13,70%, o que gerou mediana de 12,50%.

Diante da demora da atividade econômica em iniciar um processo de retomada, o mercado de trabalho tende a tardar para começar uma fase de melhora, dada a defasagem do setor em acompanhar os movimentos gerais da economia. Com isso, os analistas acreditam que o desemprego seguirá em aceleração pelo menos na primeira parte de 2017.

Conforme os economistas, muitas empresas, sem caixa e com estoques elevados, estão contratando menos ou até mesmo deixando de empregar em épocas de maior demanda como o fim do ano.