Estadual com 63 jogos em 64 dias divide opiniões em times

Diogo Rocha / vencer@diarioam.com.br

Manaus – O Campeonato Amazonense de 2017, que começa no dia 14 de março e encerra no dia 16 de maio, será de tiro curto. Dois meses e quatro dias, exatamente, com 63 jogos e a participação de oito clubes, incluindo os dois times que ascenderem, através da divisão de acesso. Os técnicos dos times divergem de opinião quanto ao curto período de bola rolando.

Para o técnico do Nacional, Aderbal Lana, um torneio de rápida duração como esse se torna prejudicial ao futebol amazonense e atrapalha até na revelação de jovens talentos, com quase nenhuma brecha para experiências em campo. “Depois reclamam que não sobe jogador de (categorias de) base e não dão oportunidades para atletas locais. Temos um campeonato curto, todo mundo quer ganhar e não sobra tempo para trabalhar a garotada e fazer experimentos. Os clubes aceitam isso pelo lado financeiro de um torneio mais curto. É maléfico para o nosso futebol”, criticou Lana.

Em 2017, o Leão da Vila só disputará a Copa Verde, entre janeiro e fevereiro, antes do início do Estadual, e Lana prevê um baixo rendimento das equipes no certame. Cada partida será um ‘mata-mata’, segundo o treinador.

“O Nacional teve que fazer, praticamente, um time às pressas (para estrear contra o Galvez-AC, na Copa Verde, no dia 29 deste mês). Teremos apenas o mês de fevereiro para trabalhar e analisar os jogadores contratados. Todo jogo será uma final”, disse.

Atual campeão estadual, o Fast Clube pode ser beneficiado, neste ano, com o Estadual curto. Pelo menos é o que acredita o técnico João Carlos Cavalo, diante de um calendário cheio de competições para o Tricolor: Amazonense, Copa Verde, Copa do Brasil e Série D do Brasileiro, tudo no primeiro semestre.

“Nós já vamos estrear no campeonato (Estadual, no dia 14 de março, contra o vice-campeão da divisão de acesso) com ritmo de jogo, devido às participações na Copa do Brasil e Copa Verde. Praticamente, estaremos com a equipe montada e com 90% do grupo que irá para a Série D (prevista para iniciar no dia 21de maio)”, analisou Cavalo.

O comandante do Fast planeja usar o Amazonense como laboratório para montar uma equipe competitiva para o Brasileiro. Mas também não esquece a meta de levar o clube ao bicampeonato estadual, o que seria outro feito importante, após quebrar, no ano passado, o jejum de 45 anos sem títulos do Tricolor.

“O regional nos dará uma base boa para a estreia na Série D. Acredito que não será menos complicado (ser bicampeão do Estadual), desde que tenhamos uma equipe competitiva”, afirmou João Carlos.

Sem espaço para lesões

Com a Copa do Brasil, em fevereiro, e também a Série D, em maio, o Princesa do Solimões também apoia um torneio curto e tem o aval do técnico Alberone. “Temos que avaliar a situação financeira (do clube). O jogador não quer ficar desempregado, mas não tem como fazer uma competição de quatro ou cinco meses, se as equipes não têm de onde tirar o dinheiro”, afirmou.

Apesar de compreensivo, o treinador do Tubarão acredita que um Estadual de disputa rápida será prejudicial para todos os times. “Não vou me segurar em dificuldades. Atrapalhar, pode até atrapalhar, e será para todos”, disse.

Novo diretor de futebol do São Raimundo, Alberto Silva, vê desvantagem no Amazonense encurtado, para os times que disputarão apenas o regional. “Isso atrapalhará todos. Os únicos que podem sair na frente são os clubes que estão na Copa Verde (Nacional e Fast) e Copa do Brasil (Fast e Princesa), o resto (das equipes) se iguala”, declarou.

Com o tempo no Estadual desfavorável para treinos, correções táticas e entrosamento das equipes, o dirigente do Tufão se preocupa com as baixas por lesões. “O jogador se bate e não dá tempo de recuperar. Dificulta tudo, porque, dependendo da contusão, fica um mês em tratamento e já está fora da competição”, disse Silva.

O São Raimundo deve apresentar os jogadores para o Estadual até a próxima quinta-feira (26).