Experiência do Estadual no 2º semestre é reprovada

Diogo Rocha / Diário do Amazonas


Manaus – O adiamento do Campeonato Amazonense de 2016 para o segundo semestre – começou no dia 19 de agosto – divide a opinião dos dirigentes e jogadores dos clubes. A maioria reprovou a mudança e reclamou da queda na presença de público nos 45 jogos disputados.

Nem o rendimento em campo das sete equipes participantes – Nacional, São Raimundo, Rio Negro, Fast Clube, Manaus FC, Princesa do Solimões e Nacional Borbense – melhorou como o esperado. A Associação dos Clubes Profissionais do Amazonas (Acpea) alegou que com mais tempo para se planejar, os clubes entrariam no Estadual com os elencos mais reforçados e em situação financeira melhor.

Mas, durante os dois meses e três dias de disputas, o contrário foi percebido. O Rio Negro, por exemplo, apesar da campanha heroica liderada pelo técnico Aderbal Lana que conduziu o time até as semifinais, sofreu ‘calote’ da parceria com a Excellence Football, empresa de gestão esportiva de São Paulo, e ficou devendo os salários e rescisões de contratos dos jogadores e comissão técnica.

“Não teve nada de positivo no Amazonense no segundo semestre. Absolutamente nada. Neste período do ano, não tem renda porque tem a concorrência do Brasileirão. Os clubes pagaram para jogar e tiveram prejuízos, o Rio Negro está correndo da sala para a cozinha para pagar jogadores. Fechamos as contratações em pacotes e estamos devendo mais de dois terços (do elenco)”, disse o presidente do Galo, Thales Verçosa.

O clima em Manaus também contribuiu para afugentar o público das partidas do Estadual, conforme o dirigente do Alvinegro. “A temperatura chegou a atingir 50ºC (Celsius, de sensação térmica) num jogo que o Rio Negro fez de manhã (11h), no Estádio do Sesi (Roberto Simonsen, no Coroado). As pessoas ficam em casa, assistindo pela TV bons jogos como os da Europa”, analisou Verçosa.

Único clube rebaixado para a ‘Segundinha’ de 2017, o Nacional Borbense se despediu do Amazonense sem ganhar um jogo dos 12 que disputou. Foram 11 derrotas e apenas um empate. “O Estadual deveria ter sido no primeiro semestre. Com as eleições (municipais), atrapalhou nossos patrocinadores e ficamos numa situação muito difícil, financeiramente. Deixando tudo para a última hora, a Prefeitura de Borba ficou impedida de nos ajudar como poderia”, disse o vice-presidente e técnico do Camaleão, Robson Sá.

Problemas iguais

O diretor de futebol do São Raimundo, Mário Ivan, afirmou que, independente do período de início do Estadual, as consequências seriam iguais. “O Campeonato Amazonense é um caos total. Tanto faz ser no primeiro ou segundo semestre, não tem público mesmo. Se tivesse sido no começo do ano, seria pior, porque ninguém tinha nada planejado. Mas esse ano foi atípico por causa da Olimpíada (do Rio de Janeiro, na qual Manaus foi sede do Torneio Olímpico de Futebol)”, disse Ivan.

Com o Amazonense deficitário, o dirigente do Tufão defende uma renovação nas gestões dos clubes e da Federação Amazonense de Futebol (FAF). “Precisa mudar a cabeça dos dirigentes de clubes e da FAF para ver se tem uma alavancada no futebol. Porque do jeito que está a competição, é prejuízo total para os dirigentes. Em 90% dos jogos, não tivemos renda nem para cobrir a arbitragem, que é de R$ 2.160, 00”, declarou Ivan.

Finalista do Estadual, o Fast Clube conseguiu ser beneficiado pelo adiamento da abertura da temporada. Pelo menos na análise do diretor de futebol do Tricolor, Rodrigo Novaes, que conseguiu reduzir em três vezes as despesas que gastaria com elenco e comissão técnica no primeiro semestre.