‘Matou para não morrer’, alega advogado de Sotero após pedido de reconstituição

A reconstituição da morte do advogado Wilson Justo, ocorrida no ano passado, ainda não foi despachada pelo judiciário estadual. Defesa quer 'provar' que ficou caracterizado legítima defesa

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – “Para ficar caracterizado que ele (delegado) matou para não morrer, para não ter sua arma tomada. Isso vai ficar provado na reconstituição do crime”, avaliou o advogado Claudio Dalledone Junior, da defesa do delegado da Polícia Civil (PC), Gustavo Sotero, indiciado pelo homicídio do advogado Wilson Justo Filho, 35, no Porão do Alemão, no final de 2017.

Cláudio Dalledone Júnior já trabalhou na defesa do ex-goleiro Bruno, está em Manaus para analisar o caso do delegado Gustavo Sotero (Foto: Reprodução)

A reconstituição do crime, requerida na Justiça pela defesa do delegado em fevereiro, ainda não foi despachada pelo judiciário estadual. O Ministério Público do Estado (MP-AM) e a defesa da viúva, Fabíola de Oliveira, que integram a assistência de acusação, foram favoráveis à reconstituição.

Dalledone, o mesmo que já defendeu o traficante Fernandinho Beira-Mar, afirmou que com a reprodução dos fatos, a sequência das ‘ações’ e ‘agressões’ do advogado. A defesa sustenta a tese de morte por legítima defesa, por parte do delegado. “Vai mostrar o tempo da ação, dos ataques, que tão logo acabaram as agressões ele cessou os disparos. Que ele fez o uso moderado da defesa que tinha”, avaliou o advogado.

No último dia 14 de março, a REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) divulgou o pedido de reconstituição, em primeira mão. Para acompanhar a recomposição dos fatos, Fabíola contratou o perito Ricardo Molina, um dos mais famosos do País, o mesmo contratado pelo presidente Michel Temer, na análise da gravação de Joesley Batista.

Delegado da PC (esquerda) é suspeito de matar Wilson Justo (direita) a tiros (Foto: Reprodução)

Os advogados do delegado da Polícia Civil (PC) pediram a reconstituição do crime em janeiro deste ano, segundo informou a assistente de acusação Catharina Estrella. “Sou favorável, contratamos Molina porque ele pode, inclusive, perguntar das pessoas, onde estavam as vitimas. Se foi um tiro de ricochete ou direto. Consideramos uma prova válida. Até porque o exame do local do crime (feito pelo Instituto de Criminalística) não foi satisfatório. Vai provar cabalmente que o delegado teve a intenção de matar”, opinou a advogada.

Até esta segunda-feira (19), a juíza do caso Mirza Thelma, não tinha se manifestado sobre o pedido de reconstituição.