Ministério Público investiga destino de lixo hospitalar em Tabatinga

Por Isabelle Marques


Manaus – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), através da 2ª promotoria de Tabatinga, iniciou uma investigação sobre o destino de lixo hospitalar no município. De acordo com o promotor titular de Tabatinga, Carlos Firmino, uma reunião com gestores de saúde do município discutiu, na tarde da última segunda-feira (13), sobre a falta de local adequado para os resíduos hospitalares.

Participaram da reunião com o MP-AM, representantes da UPA do município, que realizaram a denúncia; do Exército, do Ministério Público Federal e da Prefeitura Municipal de Tabatinga. Conforme o promotor, o problema chegou à 2ª promotoria através da diretoria da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município que informou a dificuldade de coleta, transporte e destino final do lixo hospitalar da unidade.

“Na reunião foi colocado o problema do lixo hospitalar estar sendo depositado em qualquer lugar, o que pode causar perigos para os moradores uma vez que o chorume pode contaminar os lençóis freáticos. É perigoso, pois muitas famílias tem o costume de buscar água de poços, mas ainda não foi registrado nenhum problema”, afirmou o promotor.

Firmino explicou que o problema é complexo devido ao desconhecimento da quantidade de lixo hospitalar produzido pelo município. “Nós já apresentamos uma parte da solução, que é a possibilidade do Exercito realizar a incineração de 80% deste lixo, porém, ainda aguardamos a licença para a operação. Outro resultado da reunião foi que iremos fazer o levantamento da quantidade de lixo hospitalar, pois temos a estimativa do município, mas não sabemos realmente a dimensão de toda a produção uma vez que temos departamentos de saúde indígenas mais distantes. Então, todas as entidades devem apresentar um relatório com essa quantidade”, explicou o promotor, acrescentando que outra reunião deve acontecer daqui a 30 dias para a análise do levantamento.

Além da sugestão de 80% do lixo hospitalar ser incinerado pelo Exército, o promotor explica que estuda a possibilidade de integrar o problema na Ação Pública que prevê a transformação do Lixão do município em um Aterro Sanitário. “São ações separadas, porém, estudo colocar uma emenda para que os restos de lixo hospitalar que não possam ser incinerados devido a presença de substâncias, conforme laudo técnico, possa ser encaminhado ao local de depósito de lixo do município”, completou.

Surto de doença

Na última terça-feira (7), a Fundação da Vigilância Sanitária (FVS-AM) divulgou que investiga um surto de diarreia com mais de 2 mil casos de notificados no município. Entretanto, o promotor afirma que a suspeita é de que os casos notificados de doença não tenham relação com a denúncia de lixo hospitalar.

“Previamente não há relação, pois, a suspeita é de que a contaminação esteja na água e, diante de um laudo preliminar, observamos que houve um problema no tratamento da água pela Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama) devido à falta de material enviado. Também existe a relação de que o ponto de coleta de água fica depois do município de Letícia e temos a suspeita de que não há tratamento de água dos afluentes da água que chega até Tabatinga”, explicou.

Além das informações do laudo preliminar, o promotor informa que o ponto de local de depósito inadequado do lixo hospitalar é aproximadamente entre oito e dez quilômetros distante do ponto de coleta de água do município antes do município de Letícia. “As investigações previamente não têm relação. Sobre a investigação do surto ainda aguardamos o laudo da Fundação de Vigilância Sanitária”, informou.

A equipe de reportagem tentou contato com a Prefeitura de Tabatinga, mas não teve êxito nas ligações.