Motim no RN foi reação do PCC contra o massacre no AM, afirma governador

Com informações de agências / portal@d24am.com


Brasília – O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), afirmou, nessa terça-feira (17), que o motim dos presos de Alcaçuz, o maior presídio do Estado, foi uma represália da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) ao massacre ocorrido em Manaus, no Amazonas, no início do ano.

Faria declarou, ainda, que o PCC mandou um recado para o governo, de que iria “tocar fogo em Natal”, caso os líderes da facção fossem transferidos para prisões de outros Estados. Segundo o governador, o Rio Grande do Norte “não se intimidou’ e pediu ao Ministério da Justiça um avião  para transferir dez líderes do PCC para outros Estados. Desses dez líderes, seis estavam em Alcaçuz e quatro, em outros presídios do RN.

“Fazer fogueira de cabeças… Até para ver você fica chocado. É querer intimidar o Estado. O Estado não pode ser intimidado”, disse Faria. Ele esteve, ontem, em Brasília, reunido com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes e  se encontrou com secretários estaduais de administração penitenciária para discutir saídas para a crise no sistema prisional.

 

Ajuda federal

Desde que as rebeliões começaram, motivadas por guerras entre facções criminosas rivais, os Estados têm solicitado ao governo federal o envio de um maior número de homens da Força Nacional para ajudar as forças de segurança locais.

O governador do Rio Grande do Norte disse, ainda,  que o motim em Alcaçuz foi “impossível prever porque surgiu de repente”. Segundo ele, membros do PCC estavam numa ala isolada dos integrantes da facção Sindicato do Crime do RN, e não havia motivos para que brigassem.

Por isso, de acordo com Faria, o setor de inteligência do Estado identificou que o que houve foi uma reação à morte de membros do PCC em Manaus. A tendência, segundo o governador, é que ações do tipo se espalhem para prisões de outros Estados.

Agora, a polícia do Rio Grande do Norte investiga se o PCC teve ajuda de agentes do Estado para atacar o Sindicato do Crime, muito mais numeroso que a facção de origem paulista. “Eles (PCC) tiveram armamentos (que entraram em Alcaçuz), condição privilegiada para atacar à noite. Deve ter tido colaboração (de agentes penitenciários ou policiais)”, afirmou Faria.

De acordo com ele, em Alcaçuz restaram apenas os muros. Parte do dinheiro liberado pela União para a construção de novos presídios pelos Estados, segundo Faria, será usada para a reconstrução do presídio, que é o maior do Estado.

 

Mais motim

O motim no local continuou nesta terça. Presos permanecem em cima do telhado, exibindo faixas e pedaços de pau. O governador disse que a prioridade é cercar a área para que não fujam. “Não podemos entrar e matar, temos que evitar um novo Carandiru, disse.

Há, hoje, no Rio Grande do Norte 120 policiais da Força Nacional, segundo o governador. Ele pediu ao Ministério da Justiça um aumento do efetivo.