Oposição escolhe os nomes para comissão que vai investigar aplicação da Afeam

Asafe Augusto / portald24am@gmail.com


Manaus – Os deputados de oposição começaram, nessa segunda-feira (28), a escolher os indicados para comporem a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar a aplicação de R$ 20 milhões dos cofres públicos do Amazonas feita pela Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) na empresa de transportes de valores, Transexpert, do Rio de Janeiro. A deputada Alessandra Campelo (PMDB) foi a primeira a ser indicada para compor a Comissão. José Ricardo (PT) e Luiz Castro (Rede), que mostraram interesse, definirão, hoje, quem assume a segunda vaga de titular na CPI.

Em reunião, onde também estava presente o deputado Vicente Lopes (PMDB), os parlamentares afirmaram que os deputados com discurso de oposição ao governo já são mais oito dos 24 membros da Casa. Com isso, a CPI deverá ser composta por três deputados governistas e dois de oposição.

“Hoje, somos oito deputados na oposição, além de um outro grupo de parlamentares que estão atuando de forma bastante independente da base governista. Se for levar a questão a fundo, o número chega a 11, no total”, salientou Luiz Castro, que mais uma vez questionou a má aplicação de R$ 20 milhões da Afeam numa empresa de segurança do Rio de Janeiro envolvida num escândalo de lavagem de dinheiro e corrupção.

Para esta terça-feira (28), os quatro integrantes da oposição disseram que vão solicitar à presidência uma reunião do colegiado de líderes para definição de todos os nomes dos integrantes da CPI da Afeam.

Alessandra Campelo afirmou que é necessário garantir a instalação da CPI antes do recesso parlamentar. De acordo com ela, a formação da Comissão em tempo hábil é tão importante quanto os outros assuntos que estão em fluxo na Casa, como a Lei Orçamentária de 2017. “A sociedade precisa saber por que foi investido um valor tão alto num momento de crise econômica numa empresa do Rio de Janeiro, envolvida em corrupção”, disse.

José Ricardo também cobrou a instalação da CPI para antes do recesso parlamentar, considerando a necessidade, que ele considerou como urgente, de investigação dos graves indícios de desvio de milhões dos cofres públicos. “A Afeam deveria ser um órgão para apoiar os setores produtivos, as micro e pequenas empresas, as ações da economia solidária. Mas parece que o apoio está sendo para grandes empresários. Para transportadora de valores de propinas, de dinheiro roubado, e do Rio de Janeiro. Por isso, tem que ter CPI. Temos que investigar melhor esses contratos”, afirmou o parlamentar.

Há um mês, o Diário do Amazonas informou que a Afeam havia aplicado R$ 20 milhões na Transexpert Transporte de Valores, empresa do Rio de Janeiro, mesmo a despeito do governo do Estado informar que sofria com a falta de recursos. A empresa é suspeita de ser usada para a lavagem de dinheiro da corrupção de grupos políticos, segundo reportagem do ‘Jornal Nacional’, da Rede Globo de Televisão, exibida na última sexta-feira (18), sobre os esquemas do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, preso por decisão da Justiça Federal, que, segundo o Ministério Público Federal, desviou R$ 224 milhões dos cofres públicos.

Na última terça-feira (22) a mesa diretora recebeu o pedido de CPI para investigar a aplicação de R$ 20 milhões da Afeam na empresa de transportes de valores, Transexpert que tinha sede no Rio de Janeiro. Nove deputados assinaram o requerimento: Alessandra Campelo (PMDB), Bosco Saraiva (PSDB), Cabo Maciel (PR), José Ricardo (PT), Luiz Castro (Rede), Platiny Soares (DEM), Sinésio Campos (PT), Vicente Lopes (PMDB) e Wanderley Dallas (PMDB).

Informações desencontradas sobre Evandor Filho atuando

A reportagem do DIÁRIO tentou verificar, nessa segunda-feira (28), informações de que o presidente da Agência de Fomento do Amazonas (Afeam) Evandor Geber Filho, mesmo depois de afastado do cargo pelo governador José Melo, na última quarta-feira, continuava a atuar no órgão.

Alguns funcionários, ao serem questionados se o presidente se encontrava no prédio, ontem, afirmaram: “(…) está no almoço e já volta”, se referindo a Evandor. Outros servidores chegaram a dizer que ele continuava a ir ao prédio da Afeam.

Quem deve assumir temporariamente a chefia do órgão é o técnico de Arrecadação de Tributos Estaduais da Secretaria  de Estado de Fazenda, Alex Del Giglio para, sem prejuízo de suas atribuições, responder, até ulterior deliberação, pela presidência da Afeam.

Além de Evandor, foram afastados o diretor de Crédito, Marcos Paulo Araújo Vale, e o diretor de Administração, Finanças e Tecnologia, Arthur de Brito Alencar Cavalcante. A medida se estende até a conclusão da apuração, pelos órgãos competentes, dos fatos relativos a suspeita de má aplicação de recursos públicos.

A assessoria informou, no entanto, que Evandor e nenhum dos outros afastados tem comparecido ao prédio da Afeam.