Ordem para fuga no Compaj veio de líder de facção em presídio federal, aponta Seap

Manaus – A ordem para insistir nas tentativas de fuga dos presos do regime fechado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) foi dada por líderes da facção criminosa que estão no presídio federal em Campo Grande (MT). A afirmação é do secretário de Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio. De acordo com ele, os ‘recados’ foram trazidos por três presos egressos de Campo Grande e também por familiares e advogados dos criminosos. De acordo com a Polícia Federal, quem cumpre pena no Mato Grosso é José Roberto Fernandes Barbosa, o ‘Zé Roberto’.

As informações foram dadas, na manhã de hoje (21), um dia após a Seap ter localizado outro túnel, na cela 8, do pavilhão 3, do Compaj. Esta foi a segunda escavação encontrada no mesmo local em cinco meses. De acordo com Pedro Florêncio, o buraco tinha cerca de 15 metros e foi escavado no decorrer dos últimos cinco dias. Ele estava localizado logo abaixo da concretagem feita para fechar o túnel encontrado em janeiro.

“Pelas nossas informações, eles (presos) tinham planejado tudo para que concretizassem a fuga de mais de 330 presos nesta segunda-feira, mas mais uma vez conseguimos frustrar a sexta fuga somente este ano, e todas por túneis”, disse Florêncio.

Conforme o secretário, as ordens para as novas escavações que facilitariam a fuga de presos foram trazidas pelos detentos Janes do Nascimento Cruz, o ‘Careca’, por Carlos Muller Neto e Rivelino de Mello Mulher. O trio estava preso no presídio federal de Campos Grande, mesma unidade onde está Zé Roberto, identificado como líder da facção Família do Norte, mas voltaram para o Compaj, no dia 27 de abril deste ano. Eles cumprem pena por tráfico internacional de drogas.

O secretário explicou que a ordem dada é para que a fuga seja concretizada de qualquer maneira com o objetivo de desestabilizar o sistema penitenciário do Amazonas. Segundo Florêncio, Careca era quem estava alojado dentro do Pavilhão 3, local onde foi encontrado esse novo túnel. “Tudo isso, além dos presos do regime fechado contam com o apoio dos demais detentos do regime semiaberto, que fica bem ao lado”, apontou.

Para a fuga, os presos usariam duas escadas de dez metros feitas de toras de árvores, as quais de acordo com o secretário foram construídas por detentos do regime semiaberto. Elas foram encontradas escondidas na mata junto com materiais como furadeiras, disco de serra e uma maquita.

Dentro das celas, foram encontrados papéis com nomes dos presos e com desenhos que mostram a dimensão da cela (4 metros quadrados) e também números escritos ao lado da palavra ‘sacos’. Nas paredes das celas ainda é possível ver as siglas da FDN. O barro retirado do túnel foi estava no teto da unidade.

Falta de fiscalização

Mais uma vez o secretário Pedro Florêncio afirmou que houve falta de fiscalização tanto por parte dos agentes da própria secretária quanto dos que atuam para a empresa Umanizzare dentro da unidade. De acordo com ele, se as inspeções diárias tivessem sido realizadas como deveriam, os presos tinham sido descobertos.

Mesmo com a suspeita de facilitação praticada por parte dos agentes, Florêncio disse que eles vão continuar atuando na unidade. Ele explicou que a saída dos funcionários só pode ocorrer depois que a sindicância instaurada confirmar se houve ou não algum tipo de facilitação.

Procurada pela reportagem, a empresa Umanizzare informou, por meio de nota, que não vai se manifestar sobre o assunto.