Piloto de avião que caiu em Medellín decolou com 5 erros no plano de voo, diz Aasana

Com informações de agências / portal@d24am.com


São Paulo – O plano de voo do avião da LaMia que caiu nas cercanias de Medellín, matando 71 pessoas e deixando seis feridos, foi alvo de vários questionamentos. Recebeu, pelo menos, cinco observações feitas por Celia Castedo Monasterio, funcionária da Aasana – a agência nacional de aviação da Bolívia – responsável pela revisão de todos os planos de voo do Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra. Ainda assim, a viagem foi permitida.

As falhas foram reveladas pelo jornal boliviano El Deber, de Santa Cruz, que teve acesso ao plano de voo, entregue por Álex Quispe, um dos sete tripulantes que estavam no avião e que morreu na queda. Celia Castedo indicou que a autonomia do voo não era adequada, que faltava um plano de voo alternativo e que o informativo foi mal preenchido, exigindo algumas mudanças.

O documento conta, também, com as respostas do tripulante, dadas uma hora antes da decolagem do avião. A principal observação apontava que o tempo previsto de voo entre Santa Cruz de la Sierra e o Aeroporto José María Córdova, em Medellín, era igual a autonomia de combustível que tinha a aeronave RJ85, cuja matrícula é LMI2933. O tempo estimado da rota era de 4 horas e 22 minutos, e a distância a ser percorrida era de 2.985 km, apenas 15 km do alcance máximo do jato, cerca de 3 mil km.

Quispe argumentou que o capitão do voo, Miguel Quiroga, havia passado a informação e que o tempo seria suficiente. “Não, senhora Celia, eu tenho essa autonomia, nos parece bem… Assim, sem complicações, faremos (o voo) em menos tempo, não se preocupe. É simples, tudo bem, então simplesmente deixe-me (prosseguir com o plano de voo)”, disse Quispe, segundo documento descrito pelo El Deber.

Para receber autorização de voo na Bolívia é necessário ter combustível suficiente para cumprir a viagem até o destino final, para chegar até um aeroporto auxiliar mais próximo do destino e ainda ter condições de sobrevoar 45 minutos sobre esse segundo aeroporto.

Apesar das observações de Castedo, o plano de voo foi aprovado e encaminhado às pessoas encarregadas de controlar o voo, em Santa Cruz de la Sierra. Passou ao controle nacional até a saída da Bolívia pela cidade de Cobija e chegou às autoridades de controle aéreo brasileiro. O avião sobrevoou o território brasileiro pela região de Porto Velho.

Prática comum

Desde agosto, o avião da LaMia fez outras quatro viagens em que quase chegou ao limite de sua autonomia. Um deles durou apenas quatro minutos a menos do que o percurso encerrado em tragédia. Desde o início do ano, há apenas um registro de percurso sem reabastecimento no sentido Santa Cruz-Medellín – justamente o da última segunda-feira.

Além dos trechos entre Bolívia e Colômbia, a LaMia percorreu 2.217 quilômetros entre Buenos Aires e Belo Horizonte, nos dois sentidos, ao transportar a seleção da Argentina para jogar contra o Brasil, no dia 10. Messi estava a bordo. O voo de volta durou 4h04min e o de ida, 3h29min.