Preço de item básico no Amazonas dobra no ano

Beatriz Gomes / Diário do Amazonas


Manaus  – Os fatores climáticos e o aumento dos combustíveis,  que encareceu o frete dos alimentos para o Amazonas, foram os principais fatores para as altas nos preços dos alimentos no Estado. O feijão chegou a uma alta de 108,9%, entre janeiro e agosto, segundo o levantamento do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas (Dieese). A manteiga aumentou em quase 50% no mesmo período, enquanto que a farinha de mandioca subiu 37,8% no ano. Consumidor pode driblar preços altos com produtos da safra e feiras de produtores.

A estiagem nas principais regiões produtoras de feijão, como a Bahia e Minas Gerais, diminuiu a oferta do produto no mercado e o preço subiu, explica o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço.  “A produção no Amazonas é restrita ao feijão de praia que é basicamente cultivado em áreas de várzeas do Rio Madeira e não atende à demanda dos consumidores do Estado”, disse.

Assim como todos os demais produtos, o impacto do aumento dos combustíveis também foi fator de encarecimento do frete e consequentemente no preço final. “Principalmente no Amazonas onde esse fator do frete logístico pesa muito no preço final dos produtos por conta da nossa distância das regiões produtoras”, destaca Lourenço.

O regime das águas dos rios nos últimos cinco anos tem transformado a farinha de mandioca em artigo de luxo na mesa dos amazonenses. “As cheias vêm impactando a produção agrícola nas áreas de várzea, onde a mandioca é muito cultivada. No Amazonas, tivemos grandes perdas da produção de mandioca nos últimos anos e comprometeu o plantio, além de diminuir a disponibilidade de maniva, que é a base do cultivo da mandioca”, afirma.

Alternativas

Para driblar as altas nos preços de produtos básicos da alimentação, o presidente da Faea orienta os consumidores a procurarem as feiras que possibilitam a compra direta dos produtores, sem atravessadores, como uma forma de valorizar esses trabalhadores e pagar menos por um produto de melhor qualidade.

“O consumidor deve procurar aquelas frutas e verduras que estão em período de safra porque os preços caem no mercado em virtude da maior oferta”, destaca.

O mamão é um desses itens. “Atualmente, há uma produção significativa de mamão na terra firme, o que faz com que o produto não fique tão sujeito às cheias e vazantes”, explica. Segundo Lourenço, é possível encontrar nas feiras o mamão a R$ 10 o quilo.

Entre as feiras que o consumidor pode encontrar produtos vendidos diretamente dos produtores estão a da Secretaria de Produção Rural (Sepror), antiga Expoagro, na zona norte de Manaus, na Agremiação de Subtenentes e Sargentos da Amazônia (ASA), na Avenida Coronel Teixeira (estrada da Ponta Negra) e na sede do Comando Geral da Polícia Militar do Amazonas, na Avenida Benjamin Constant, s/nº, bairro Petrópolis, zona sul.