Prefeitos que querem se reeleger são 35 no Amazonas

Manaus – Estudo feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), intitulado como Eleições Municipais – O Quadro Político Atual, divulgado neste mês de agosto, mostra que, no Amazonas, 35 prefeitos informaram que vão disputar a reeleição para o cargo. O número equivale a 79,55% dos 44 que estão em primeiro mandato e podem concorrer à reeleição. O Estado tem 62 gestores municipais. O índice deixa o Amazonas na quarta posição no ranking nacional.

O primeiro lugar no País é do Estado de Pernambuco, que tem 88%. Em segundo, vem Tocantins, com 83,81%, e, em terceiro, está o Amapá, com 80%.

A pesquisa apontou, ainda, que dos 44 prefeitos que têm a possibilidade de reeleição no Amazonas, cinco gestores informaram que vão apenas cumprir as obrigações até o fim deste ano, um gestor estava indeciso e três gestores não participaram do estudo, conforme a CNM.

Segundo a pesquisa da CNM, as desistências de alguns gestores a um possível segundo mandato baseia-se no atual momento de crise financeira aguda, nos problemas de toda ordem que impedem a realização e o atendimento das demandas da população em cada cidade, além do constante desgaste que é exercer a função de gestor municipal.

O prefeito de Rio Preto da Eva, Ernani Santiago (PROS), afirmou que não irá concorrer ao segundo mandato. Ele explicou que os prefeitos já estão penalizados, e, de acordo com ele, a falta de recursos para novos investimentos deixa a prefeitura de “mãos atadas” e passa uma visão de pouco trabalho para o eleitor.

Santiago ressalta que a crise do País e a queda na arrecadação deixam as administrações quase sem respirar, apenas promovendo a folha de pagamento e fazendo vários enxugamentos na máquina pública, como redução de secretárias, redução no quadro de funcionários e redução de gastos.

“Esse enxugamento acaba gerando um desconforto para muitas pessoas que passam a deixar seus empregos, mas, se não fizermos isso, não vamos ter recursos para fechar a folha de pagamento até o final do ano”, disse.

Sem largar a chance de uma reeleição, o prefeito de Apuí, Adimilson Nogueira (DEM), informou que mesmo com as dificuldades que o atual cenário apresenta, vai se candidatar. Segundo ele, o partido não tem outro nome para a disputa do cargo. “A questão financeira vem dificultando bastante o processo de reeleição dos candidatos. Aqui, no meu município, estou preocupado em terminar meu mandato com as contas em dia, e sem a possibilidade de fazer novos investimentos”, disse.

Apesar das dificuldades financeiras e políticas, os prefeitos de Coari, Raimundo Magalhães, de Manacapuru, Jaziel Nunes (PSC), de Boa Vista do Ramos, Amintas Junior Lopes Pinheiro (PMDB), e de Novo Arião, Lindinalva Ferreira (PT), afirmaram que não pretendem desistir da reeleição.

A prefeita de Novo Airão explicou que a realidade de crise econômica e política é enfrentada por todos os prefeitos no interior do Estado. Segundo ela, o País vive um novo momento e o bom trabalho com a administração pública e o respeito com o recurso público vão fazer toda a diferença nas eleições.

O prefeito de Coari disse que a dificuldade é de todos, mas que ele não vai desistir de uma possível reeleição. O prefeito de Manacapuru, Jaziel Nunes, disse que não abriu mão da reeleição e que deve ser feito um trabalho de conscientização. Segundo ele, o município de Manacapuru está vencendo a crise com muito trabalho.

O prefeito de Boa Vista do Ramos, Amintas Junior Lopes, disse que, apesar das dificuldades, ele não pretende recusar uma possível reeleição. Segundo ele, apesar de ficar com “um pé atrás” na questão da reeleição, por conta da crise política e financeira que o País vem passado, não vai entregar o cargo para os adversários.