‘Presos conhecem mais a Cadeia Pública do que a própria casa’, afirma secretário

Carla Albuquerque – DEZ Minutos / portal@d24am.com

Manaus – Parte dos presos que estão alojados no Raio B, da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no Centro, conhecem mais a unidade do que a própria casa, segundo o secretário de Administração Penitenciária, tenente-coronel Cleitman Rabelo. De acordo com ele, os presidiários sabem onde existem as ‘tocas’ que escondem armas e celulares deixados pelos detentos antes da desativação, em outubro de 2016. No local, os presos se dividem em três grupos que tentam se matar, o que prejudica a revitalização do espaço e também a entrada de agentes, conforme o secretário.

“Quem está fazendo o ‘corre’ dentro da unidade é um preso, o agente não se sente seguro. Como a tensão é grande na Vidal, não temos agente dentro do raio porque há possibilidade de ter problema ainda e pegarem o cara como refém”, disse Rabelo. “Então, por segurança, pegamos um preso que tem bom comportamento e ele fica fazendo a distribuição de alimentos e água, entre outros materiais”.

Na unidade estão presos como ‘Fabrício’, Rômulo ou ‘LH’, Janderson Rolim Matos, o ‘Passarinho’, Márcio Pessoa da Silva, o ‘Marcinho Matador’. Eles e outros 280 presidiários, que estão na Cadeia Pública, foram transferidos para a unidade logo após o massacre que resultou na morte de 56 detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e outros quatro na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

Desde que retornaram para a Cadeia Pública, os presos causaram motins e no dia 8 de janeiro provocaram uma rebelião, com execução de quatro detentos. “Hoje a gente entende porque eles não quiseram ir para o Raio A e quiseram ir para o Raio B. E pior, por isso que ninguém quer trabalhar lá dentro (Vidal), porque, lá dentro, eles querem se matar”, falou o secretário ao informar que agentes penitenciários não atuam dentro da Vidal Pessoa.

Dentro da cadeia, os presos se subdividiram em três grupos, sendo dois de facções rivais e outro que acolhe os evangélicos. Um deles é, segundo a Seap, comandado por Marcinho Matador, que é um dos conhecedores da unidade. De acordo com o secretário, os presos sabem onde ficavam os locais que os presos, antes da desativação, usavam para esconder armas, drogas e outros materiais ilícitos.

No último dia 24, a Seap fez uma revista na unidade. Durante a inspeção foram apreendidos 11 celulares, três chips, seis carregadores, 22 estoques, uma faca de mesa, duas baterias e um cartão de memória. Também foram apreendidos um simulacro de arma de fogo feito de esponja, um barra de ferro, uma porção de tabaco, um tubo de ferro, 10 metros de fios de cobre.

“Eu posso afirmar que esse material é velho e foi deixado pelos detentos quando ela (Vidal) foi desativada. Como não foi feito a limpeza da cadeia antes que fosse reativada, esse material ficou lá dentro e foi reutilizado pelos detentos transferidos”, informou o secretário Cleitman.

Ala recuperada

De acordo com Rabelo, dentro de duas semanas, a Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinfra) vai entregar para a Seap o Raio D, que antes da desativação, era ocupado pelas detentas. “Quando nos for entregue, vamos pegar esse grupo que é ameaçado, colocar no raio D e pegar os presos que estão no B, deslocá-lo para outra área e, assim, recuperar o raio B e ficar mais tranquilos”, afirmou o secretário.