Professores suspendem aulas em quase 150 escolas: ‘estão dispostos a continuar parados’

A Assprom Sindical informou que a greve geral, marcada para iniciar na quinta-feira, é a maior em 13 anos. Paralisações desta segunda-feira são um movimento autônomo

Victor Cruz / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Subiu para 147 o número de escolas do Estado que tiveram as aulas paralisadas, nesta segunda-feira (19), em um movimento autônomo de professores, que devem deflagrar greve geral da categoria na próxima quinta-feira (22). De acordo com a Associação Movimento de Luta dos Professores de Manaus (Assprom Sindical), na tarde desta segunda (19), 117 escolas da capital e 30 do interior do Amazonas ficaram sem aulas.

Professores de escolas de Manaus suspenderam as aulas nesta segunda-feira (Foto: Divulgação)

O professor Lambert Melo, coordenador financeiro da Assprom Sindical, disse que ainda não é possível afirmar quantas escolas terão aulas nesta terça-feira (20). “Em muitas escolas eles (professores) estão dispostos a continuar paralisados, mas outros decidiram que vão voltar a trabalhar normalmente”, informou Lambert.

O professor criticou as negociações feitas pelo Governo do Amazonas com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), afirmando que o sindicato não mais representa grande parte da categoria. “Não tem mais legitimidade, a categoria não acredita mais nesse sindicato e qualquer negociação feita através deles não será aceita”, disse.

A Secretaria de Estado da Educação e Qualidade de Ensino (Seduc) informou, por meio de nota, que tem mantido o diálogo com os servidores da educação por meio do Sinteam, “única entidade constituída legalmente para representar a categoria, e que já foram anunciadas melhorias aos servidores”.

A Secretaria afirmou, ainda, que qualquer paralisação de unidades da rede estadual de ensino, nesta segunda-feira (19), não tem amparo legal, por não estar de acordo com a Lei 7.783/89, que preconiza aviso prévio de 72 horas para suspensão de serviços.

Questionada sobre a legalidade das paralisações, a Assprom Sindical informou os professores, em movimento autônomo de advertência, assumem as faltas dos dias que não deram aula, o que, para eles, não caracteriza ilegalidade. De acordo com a entidade, a decisão pela suspensão das aulas foi determinada, em conjunto, pelos professores de cada escola. O sindicato afirmou que a liberação dos alunos fica sob a responsabilidade do gestor de cada escola.

Maior greve em 13 anos

De acordo com o professor Lambert Melo, representante da Assprom Sindical, a greve marcada para a próxima quinta-feira (22) será ‘histórica’, pois a categoria reivindica 35% de reajuste salarial, atrasado por quatro anos. De acordo com ele, a última greve deflagrada pela categoria foi em 2005. “Antes nunca passaram quatro anos sem reajuste. As reivindicações, naquela época, eram por reajuste de 10% ou 12%, por atrasado de um ou dois anos”, disse.

De acordo com Melo, a greve da categoria será instalada a partir de quinta-feira, por tempo indeterminado, caso o Governo não dê uma resposta à associação. “Todos os passos legais foram dados, estamos cumprindo o prazo legal de 72h para deflagrar a greve e não ter problemas com os Tribunais”, afirmou.

Reivindicações

Os professores têm 19 itens na pauta de reivindicações feitas ao governador Amazonino Mendes (PDT). Os trabalhadores da Educação reivindicam 35% de reajuste de reajuste salarial, pagamento de progressões atrasadas, auxílio alimentação para todos os servidores da Seduc, sem distinção de valores, com acréscimo de 100% sob o valor pago atualmente pelo governo. “Que não haja distinção, pois todos são servidores iguais. Quem está e quem não está na sala de aula e os administrativos, todos devem ganhar o mesmo valor”, ressaltou o professor.

Na manhã desta segunda-feira, a Assprom Sindical protocolou, na sede da Seduc, documento comunicando o secretário da Educação do Amazonas sobre a deflagração da greve. Junto com o comunicado, a entidade também protocolou as listas de frequência dos participantes da assembleia geral realizada na última sexta-feira (16), na Praça da Polícia, quando os professores decidiram pela greve. “Estamos todos unidos e realizando todo o processo legal para que a greve que vai ser instalada na quinta-feira, dia 22/03/2018, seja bem sucedida”, informou a diretoria da entidade, em comunicado.