‘Quero ser julgado como técnico’, diz Rogério Ceni

Estadão Conteúdo / portal@d24am.com


São Paulo – Rogério Ceni confessou que gostaria de continuar estudando para ser treinador, mas após receber o convite do São Paulo, não teve dúvidas de que era o momento e resolveu chamar a responsabilidade. “Meu coração me diz que, se o São Paulo me chama para uma oportunidade como essa, jamais eu poderia recusar”, afirmou o ex-goleiro, ao ser apresentado, oficialmente, ontem.

Maior ídolo da torcida do clube onde ficou por mais de 25 anos, ele sabe que tem crédito por sua história de títulos e defesas, mas que isso não diminuirá as cobranças, caso os resultados não apareçam. Ele lembrou que já passou por todos os tipos de situações no São Paulo, das conquistas aos fracassos.

“O que me moveu para tentar bater faltas sendo goleiro e o que me move são os grandes desafios. Tive uma carreira completa aqui, da base até ser capitão. Agora, venho como técnico. Na vida, só erra quem decide. Não quero ser julgado como atleta, mas como treinador a partir de agora. A graça da vida está nos grandes desafios. Tem coisas que você faz pelo dinheiro. Eu vim aqui em busca da glória”, avisou.

Ele evitou entrar em detalhes sobre como será a postura e forma de armar a equipe. Garante que não tem restrição a nenhum tipo de esquema tático e lembra que pode, inclusive, mudar o jeito de jogar da equipe, de acordo com o adversário, a menos que não tenha boas peças para reposição e alterar a postura do time.

Para assumir o desafio, ele pretende ter uma comissão técnica muito qualificada, para poder aplicar, no campo, as coisas que viu na Europa, neste segundo semestre, e aquilo que pensa sobre futebol. “Vou montar uma equipe de trabalho muito boa. Vamos fazer o máximo para ter um elenco mais forte. Será um desafio preocupante e, ao mesmo tempo, fascinante”.

Ceni trabalhará com dois auxiliares estrangeiros, o inglês Michael Beale, que tem experiência nas categorias de base do futebol inglês e estava no Liverpool, e o francês Charles Hembert, que já atuou na parte de logística com a Seleção Brasileira na Copa América Centenário. A opção pela dupla mudará a forma de treinar no clube.

“Não estou trazendo novos conceitos, tenho os meus. O treino será montado no dia anterior, usarei dois campos por treinamento. Sempre vou delegar funções, desde que as pessoas tenham competência”, disse. Ceni, que defendeu que o treinamento tenha um ritmo intenso, para que os atletas consigam repetir isso nas partidas. A intenção dele é ter um São Paulo ofensivo, com marcação pressão e buscando o gol a todo momento.
Ceni fez o presidente Carlos Augusto Barros e Silva, o ‘Leco’, admitir publicamente que o goleiro Sidão, do Botafogo, está “praticamente fechado”. “Será uma disputa saudável. A chegada do Sidão vai aumentar a competição e isso é muito importante”, comentou Ceni.