Taxa de desemprego é recorde e 11,8 milhões de brasileiros estão sem atividade

Estadão Conteúdo /Diário do Amazonas


Rio de Janeiro – Na fila de pessoas em busca de um emprego já tem 11,847 milhões brasileiros em todo o País. A taxa de desemprego voltou a bater recorde no trimestre encerrado em julho: 11,6%, o maior patamar registrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A massa de rendimentos dos trabalhadores que permanecem ocupados encolheu 4% no trimestre encerrado em julho, ante o mesmo período do ano anterior, o que alimenta o círculo vicioso do desemprego, alertou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. “Você tem menos pessoas gastando, consumindo. Consequentemente, o comércio vai ter menos saída, a indústria vai produzir menos e você vai ter mais pessoas sendo mandadas embora”, disse.

Após sucessivos cortes de vagas e redução no salário de trabalhadores ainda ocupados, a massa de renda em circulação na economia, de R$ 175,3 bilhões, regrediu ao mesmo patamar de maio de 2013.

“A desaceleração da inflação é o primeiro passo para sair desse círculo vicioso”, disse o economista do Mitsubishi UFJ Financial Group, Mauricio Nakahodo.

Segundo ele, a redução no IPCA (a taxa oficial de inflação) acumulado em 12 meses “acabará contribuindo para uma estabilização no poder de compras das famílias”. Até julho, a inflação de  12 meses acumula alta de 8,74%. O banco estima que fique um pouco acima de 7,1% no ano.

Em julho, o setor privado eliminou 1,396 milhão de vagas com carteiras assinada. “A carteira de trabalho tem o menor patamar desde o trimestre encerrado em julho de 2012”, observou Azeredo

Como consequência, aumentou o número de ocupados em atividades informais ou menos qualificadas, como o trabalho por conta própria (527 mil pessoas a mais no trimestre encerrado em julho em relação ao mesmo trimestre de 2015), trabalho sem carteira assinada no setor privado (95 mil pessoas a mais) e o trabalho doméstico (mais 126 mil pessoas).

Entretanto, na comparação com o trimestre anterior, encerrado em abril, houve redução expressiva no contingente de pessoas trabalhando por conta própria (342 mil a menos), compensada em parte pela elevação no total de trabalhadores informais no setor privado (mais 207 mil).

Segundo Azeredo, o resultado significa que muitos dos trabalhadores com carteira assinada que foram demitidos e passaram a trabalhar por conta própria tiveram de voltar à informalidade  ou ficaram sem ocupação depois que seus negócios “não vingaram”.