Túnel de 3m é encontrado em cela do Compaj

Girlene Medeiros /Diário do Amazonas


Manaus – Detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) cavaram um túnel de quase três metros de profundidade para tentar fugir da prisão pela mata localizada ao redor da penitenciária. A estratégia para a fuga de 18 detentos foi descoberta, na manhã desta terça-feira (25), durante revista de rotina da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) na Ala 1 do Pavilhão 1 da prisão. Esse é o terceiro túnel encontrado, pela secretaria, dentro do pavilhão, e sétimo dentro da penitenciária, conforme informou a coordenação da secretaria.

O túnel foi encontrado embaixo de uma das camas da cela 5 da Ala 1 do Pavilhão 1 do Compaj, localizado no km 8 da BR-174 (Manaus-Presidente Figueiredo). Em formato quadrangular, o túnel encontrado apresenta 1,5 metro de largura e está localizado na área ao fundo da cela, onde apenas quem entra na cela consegue ver o túnel.

A suspeita da direção da Seap é que o local estava sendo cavado pelos presos da cela. O coordenador do sistema penitenciário, Enderson Passos, disse que a equipe da Seap recebeu informações, por meio do sistema de inteligência da secretaria. “Eles queriam ir para a área de selva e fugir. São presos sentenciados e tentam sair a qualquer custo”, afirmou Enderson.

De acordo com o coordenador do sistema penitenciário, durante a revista na cela, os internos disseram que o túnel já estava aberto antes de eles chegarem. No entanto, segundo Passos, a secretaria recebeu informações de que os presos estavam trabalhando na escavação há duas semanas. A equipe da Seap encontrou a areia escavada do túnel acomodada dentro de sacolas plásticas.

Segundo Passos, a punição para os 18 detentos que estavam na cela, inicialmente, foi o encaminhamento do grupo para uma área de isolamento do Compaj por 10 dias. O coordenador do sistema penitenciário informou que foi aberto um procedimento disciplinar para investigar o caso e um conselho disciplinar, formado por integrantes da Seap, vai determinar a culpabilidade da escavação do túnel.

A punição pode variar, segundo informou Passos. “De antemão, a gente entende que a culpa foi de todos os 18 internos, porque eles sabiam da escavação do túnel”, afirmou Enderson, acrescentando que a permanência dos 18 presidiários em área de isolamento pode se estender para até 30 dias quando serão apontada estratégias para puni-los, como, por exemplo, suspensão de visitas.

Conforme levantamento da Seap, estavam na cela 5, onde foi encontrado o túnel, Abrahim Garcia Nunes, Alex Sandro, de Araújo Ventura, Anderson dos Santos Lima, Demétrio Antonio Matias, Douglas Silva de Souza, Eder Moreno Moraes, Emerson Batista Tavares, Jonas da Silva Pinheiro, José Arnaldo Gomes Nascimento, Kleonidas Nobre Araújo, Leon Lopes Salgado, Lucas do Carmo Oliveira, Luciano Lima do Carmo, Manoel Lemos dos Santos Batista, Mateus Alves dos Santos, Pablo Ferreira Teixeira, Sebastião Damiao de Menezes Marinho Júnior e Thiago Braga de Oliveira.

Consta no processo judicial dos internos envolvidos que, pelo menos, parte deles receberam avaliação de bom comportamento pela Seap no segundo semestre deste ano, como ocorreu com Abrahim, Demétrio, Eder, Kleonidas e Leon. Os presos da cela 5 cumprem pena por diferentes crimes, como roubo majorado, homicídio e tráfico de drogas. No processo judicial de Eder consta que o preso já foi alvo de conselho disciplinar em janeiro deste ano, quando a Seap encontrou um túnel sendo construído na cela 3 também da Ala 1 do Pavilhão 1 do Compaj. Preso por tráfico de drogas, Eder estava nesta cela e foi absolvido pelo conselho por não terem sido encontradas provas de que o apenado estava envolvido na escavação do túnel.

Apreensão

Durante a revista, a equipe da Seap encontrou materiais perfurocortantes dentro das celas do Pavilhão 1 do Compaj. Entre os materiais apreendidos, foram encontrados cinco celulares com carregadores, 18 vergalhões de aço e uma porção de maconha. O coordenador do sistema penitenciário afirmou que o material foi retirado da própria estrutura do Compaj que é antiga. “Devido a nossa instalação já ser antiga, algumas partes da estrutura vem se desfazendo e eles pegam esses ferros e essas calhas para fazer esse tipo de escavação”, disse Passos.

O levantamento da Seap aponta que 198 internos estão presos na Ala 1 do Pavilhão 1 do Compaj.  Na manhã desta terça, a revista iniciou às 5h30 e, conforme a secretaria, as revistas estão sendo realizadas de forma rotineira para prevenir fugas e desordens dentro das penitenciárias do Estado e são feitas por integrantes da Coordenação do Sistema Penitenciário (Cosipe), Departamento de Inteligência Penitenciária (Dipen) e Servidores do Compaj.