Valor da tarifa de ônibus gera dúvidas para usuários do transporte público

Manaus – Após o desembargador João Mauro Bessa ter atendido um recurso da Procuradoria Geral do Município (PGM), contra a decisão do reajuste de 12,37% da tarifa de ônibus, que entraria em vigor a partir desta sexta-feira (1º), usuários do transporte público ficaram confusos sobre o real preço que seria cobrado pelo serviço, nesta manhã. Muitos reclamaram sobre o reajuste e das indecisões dos órgãos responsáveis.

A cozinheira Ladiene Freire, 47, foi uma das passageiras que estava confusa em relação ao valor que seria cobrado a partir de hoje. Ela chegou por volta das 8h30, no Terminal T4, localizado no bairro Jorge Teixeira, na zona leste da de Manaus.

“Ontem alguns ônibus já estavam com o novo valor de R$ 3,34.  Cheguei aqui e não sabia se iria pagar ainda o antigo preço de R$ 3 por uma viagem. Perguntei ao um funcionário e ele me informou tudo que tinha acontecido, no entanto, fico sem saber o que fazer, porque um hora dizem que a passagem vai aumentar. Outra não”, disse a cozinheira.

Conforme o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), o reajuste imediato da tarifa de 12,37% foi determinado por decisão judicial da 2ª Câmara Cível, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), sendo publicada na última segunda-feira (27). Ainda conforme o órgão, com a aplicação do percentual o novo valor, de R$ 3,54, seria cobrado a partir desta sexta-feira (1º). No entanto, na tarde de ontem, a decisão do desembargador João Mauro Bessa, suspendeu o reajuste.

Ainda nesta manhã, a doméstica Cilene Silva, 54, destacou que as empresas de transporte público não estão se preocupando com  a população. Segundo ela, ainda existem muitos indecisões sobre o aumento da passagem.

“Tenho certeza que essa é uma história longa, que não vai acabar agora. Todo mundo já sabia que teria esse aumento. Muitos colegas foram no posto do Sinetram para comprar crédito no valor de R$ 3, mas nem adiantou, porque a passagem continuou a mesma”, disse Cilene.

Já a assistente social Marylane Oliveira, 37, que estava no Terminal T3, localizado no bairro Cidade Nova, na zona norte de Manaus, afirmou que o valor de R$ 3,54 não é justo para o serviço que é oferecido.

“Claro que estamos confusos. Foi anunciado que ia aumentar, mas depois mudaram de ideia. Esse valor não é justo. Estamos em uma crise e ainda o serviço não é adequado. Tudo que está acontecendo é uma falta de respeito”, destacou.

T1 e Matriz

Na manhã de hoje, a reportagem do Portal D24am, visitou também o Terminal T1, localizado na avenida Constantino Nery, e a Praça da Matriz, no Centro da cidade. Os passageiros também estavam confusos em relação à tarifa.

“Não sabemos o que está acontecendo. Manaus é um dos poucos locais do Brasil que tem uma das passagens mais caras. E ainda ficam nessas indecisões se vai aumentar ou não. Ficamos preocupados, porque sempre saio de casa com três reais. Se aumentar, e eu não ficar sabendo, não vou levar mais o 54 centavos”, comentou o motorista, Antônio José Alves, de 50 anos.

O empreiteiro de obra, Carlos Alberto Mendonça, 74, reclamou das frotas de ônibus. Segundo ele, estão em péssimas condições.

“Não pago mais a passagem, porque agora utilizo do serviço de forma gratuita, mas os valores sempre pesam no meu bolso, porque eu tenho filhos que estão na faculdade e precisam utilizar do transporte público. Espero que tudo se resolva, porque não estamos entendendo nada sobre esses aumentos de passagens”, finalizou.

Média de passagens

Conforme informações da assessoria de comunicação do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), uma média de 10,5 milhões de pessoas pagam passagem integral mensalmente na cidade enquanto 4,8 milhões pagam meia passagem.