18ª edição da Parada do Orgulho LGBT reúne público no Sambódromo de Manaus

'Resistir para existir: cure a corrupção com seu voto' é o tema do evento, neste ano, que contou com um palco para desfiles e apresentações de drag queens

Filipe Távora

Manaus – A 18ª edição da Parada de Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) de Manaus  foi realizada no Centro de Convenções (Sambódromo), neste domingo (30), na Avenida Pedro Teixeira, bairro Dom Pedro, zona centro-oeste. As festividades incluem quatro trios elétricos, sendo um comandado pela presidente da Associação Amazonense de Gays, Lésbicas e Travestis (AAGLT), e organizadora do evento, Bruna La Close e apresentações da Banda Impakto, DJs, drag queens e outras personalidades da comunidade LGBT e atrações musicais. A previsão da organização era atrair de 30 a 35 mil participantes até o fim do evento.

18ª edição da Parada do Orgulho LGBT reúne público no Sambódromo de Manaus (Foto: Raquel Miranda)

“Resistir para existir: cure a corrupção com seu voto” é o tema do evento, neste ano, que contou com um palco para desfiles e apresentações das drag queens Stefanella D´llamory, Jéssica Theysse, Lorhanda D´Castro e Yaskara D´Castro. Também estava à disposição dos visitantes uma tenda eletrônica com muito pop, rock e funk, sob o comando do DJ Gabriel Medeiros.

A 18ª edição do evento teve início às 16h e deve terminar meia-noite, contando com 130 policiais militares e nove câmeras fiscalizando a segurança no local, de acordo com o coronel Fábio Pacheco da Silva. “Aqui temos um evento de quase 18 anos, que já tem uma certa tradição no Estado”, afirmou ele.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) formou um sistema integrado de comando e controle, constituído por profissionais das polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros, do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o objetivo de monitorar o evento.

Dentre os vários participantes que visitaram o Sambódromo, o estudante de direito Fábio Brandão Guadalupe, 24, considera esta edição da Parada LGBT especial, em decorrência do contexto político que o País vive. “Eu espero que as pessoas se politizem mais e que diminuam o preconceito. Apesar de o público LGBT ter um pouco mais de liberdade para andar na rua, nós ainda vivemos uma grande ilusão, porque grande parte do Brasil está votando em um candidato muito conversador, com posições machistas, homofóbicas e racistas. Viemos aqui, hoje, para pedir respeito e conscientização”, disse.

Fábio foi à sua primeira edição da Parada LGBT, carregando uma bandeira com as cores do arco-íris, símbolo do movimento, feita pela mãe do estudante. “Eu falei para ela que viria e minha mãe disse que eu podia comprar os panos para ela confeccionar a bandeira. É um dia muito especial pra mim e a festa está linda. Adorei a organização e a segurança”, destacou.

As drag queens Lorhanda D´Castro e Yaskara D´Castro esperam que esta edição traga mais aceitação social. “Esperamos mais aceitação para a gente e [queremos] conquistar um público maior neste ano”, disse Lorhanda, que ressaltou a questão política da ação. “A gente está lutando por uma causa. Estamos a favor da manifestação do #EleNão. A gente também está lutando contra ele”, afirmou, fazendo referência à candidatura do deputado Jair Messias Bolsonaro.

A estimativa final de participantes está prevista para ser divulgada a partir das 22h deste domingo, de acordo com o sistema integrado de comando e controle, da SSP, presente no local.

Segundo a presidente da AAGLT, Bruna La Close, a escolha do tema da 18ª edição do evento aborda questões sociais e políticas. “Sabemos que, no Brasil, as políticas voltadas ao movimento LGBT ainda são deficientes e queremos mudanças. Por isso, buscamos conscientizar a população LGBT a fazer uma boa escolha na hora de votar”, afirmou.